sexta-feira, 23 de maio de 2014

Hei você


Hei você que sabe tudo, que conhece todas as entradas e saídas. Hei você que um dia esteve aqui e hoje está só os Deuses sabem onde. Hei você que passou e não ficou. Como pode saber tudo? Como pode querer tudo ao mesmo tempo? Sabia que já fui assim? Há muitos anos atrás pensava que sabia tudo, que podia tudo. Hoje dou risada de mim mesma, quanto tempo desperdiçado quando o que queria era somente ser feliz e viver plenamente. O tempo é realmente soberano, vai nos ensinando pequenas e grandes coisas sem se importar se aprendemos ou não. Ele é inexorável. Hei você aprendeu alguma coisa? E eu será que aprendi? Mirando no espelho fico me dizendo como se eu fosse outra pessoa: Aprendeu ou não? A resposta nem sempre é positiva. Então já sei que terei de trilhar novamente caminhos já percorridos. Por que? Simples para aprender. Para detectar meus erros e acertos. Embora a vida seja feita de escolhas, muitas vezes quem é que escolhe? Já parou para pensar que simplesmente seguimos um fluxo? Que mudanças sempre assustam? E por que? Se viver é uma constante mudança? Temos medo do outro, medo do novo, medo do velho e medo de tudo. Do que não temos medo? Uma ótima pergunta, não é mesmo? Não temos medo de criticar o outro, de apontar o dedo, de ferir, de passar por cima. Estranho modo de viver. Talvez por isso muitos tenham medo da morte. Do acerto de contas. Acerto de contas? Independente de crenças ou religiões, nosso imaginário criou esse acerto, algo que mexe conosco. Um dedo acusador, um juiz implacável. Algo do qual não podemos nos esconder. O imaginário humano é povoado por monstros e seres luminosos. Por que será? Talvez por querermos proteção ou mesmo punição. A culpa é algo tão pesado, tão denso, tão pegajoso que nos faz perder o censo. Nos faz ter sempre o pé atrás. Andamos virando a cabeça para todos os lados, imaginando que alguém irá nos atacar, que do nada aparecerá o mal. Nos cerramos em casa pensando que ali estaremos seguros. E quando a noite cai o temor toma conta do ser. Chegamos a ver monstros que não existem. Hei voce já se perguntou por que a maioria das visões são dantescas? O que nos move a isso? Será a culpa ou o medo? Ou serão os dois? E o medo do amor, já se perguntou o por que disso? Queremos tanto amar e ser amados. E temos medo. Incrível isso!!! Somos verdadeiros paradoxos. E somos engraçados, isso é inegável. Temos arroubos de coragem em meio a todo o medo que sentimos.

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