domingo, 27 de abril de 2014

Cinza


Um dia de repente, sem aviso, sem prenúncio, acontece o fim. Não é algo premeditado ou mesmo esperado. Simplesmente acontece. Quando os olhos se cansam de olhar, quando a boca se cansa de falar, quando os dedos se cansam de manipular algo, quando tudo está tão cansado que a única coisa que se pensa é: Inferno!! Que isso termine.Os passos são tão decrépitos, nada desperta atenção muito menos desejo. Tudo agora é cinza. As cores se foram, os olhos já não percebem beleza ou qualquer outra nuance. Observam um quadro em cinza. Em algum canto desse cérebro há uma lembrança de dias de sol, de música, de amor e noites enluaradas. Mas as lembranças vão se apagando com o tempo. Nada é permanente. Nada é eterno. Nesse limbo nem deuses, nem demônios, nem anjos, somente o vazio. Perdida a vontade de viver, de experimentar. Nem mesmo tristeza habita esse lugar. Somente uma indiferença gigantesca. E um isolamento cada dia maior. Assim se passa um dia, uma noite. Nada demais. Nada de menos. Sem gritos ou lágrimas. Se encaminhando para o túmulo. Sem medo ou pressa, simplesmente indo. O coração está quebrado, vazio. Estranho como até o pulsar agora está desgastado. Estranho, os sonhos se foram. Mesmo os pesadelos. Há somente um arremedo de vida. Uma luz que está quase apagada. Aqui não há mais perguntas, nem mesmo respostas. Tudo é cinza. Aos poucos os olhos vão se cerrando, o corpo se imobiliza. Nada. O cinza abrange tudo...

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