domingo, 16 de fevereiro de 2014

Marionete


Em algum lugar do mundo estou sentada em frente ao computador com um milhão ou mais de ideias e pensamentos bailando dentro de mim. Há momentos em que me canso de estar aqui ou ali. Se pudesse criaria um pequeno espaço só meu, alguns dirão que é egoísmo, que seja! Ando precisando de um lugar onde me sinta eu, onde possa estar sem me sentir uma intrusa. Acho que estou novamente em um daqueles momentos em que me sinto inadequada. Uma sensação difícil de colocar em palavras. Escondo-me, faço de conta que está tudo em ordem, tudo bem. Aos que perguntam sempre digo, está tudo em ordem. Como sou mentirosa! Mas, eles não entenderiam a ânsia que perpassa meu espírito, então me calo. Outros dizem que sou fria, se soubessem o quão distante estão da verdade, se sentiriam surpresos, mas novamente deixo o silêncio pairando, acaba sendo mais seguro, só não sei para quem, se para eles ou para mim. Analisando acredito que seja para eles, afinal quem quer realmente saber o que o outro sente ou não? Todos julgam, presumem e tem suas próprias verdades, então não faz diferença se o que eu sinto não é o que eles pensam que sinto. Julgamentos ando tão cansada deles e ao mesmo tempo presa a eles. Estou cansada de tentar demonstrar que muitas vezes eles estão errados. Estou cansada de estar nesse lugar, de carregar sentimentos que dilaceram minha alma. Se eu fosse corajosa simplesmente desistiria de tudo. Permaneceria como uma estátua o observar a passagem do tempo. Sem me preocupar com absolutamente nada. Ali parada em uma única pose. Pensando aqui talvez já seja essa estátua, na verdade seria uma sombra de mim, algo que os outros moldam ao seu prazer, ou uma marionete que qualquer um pode manipular. Sorria agora. Sente em dez minutos. Caminhe até a esquina. Fale com as pessoas. Seja gentil. Tome banho. Deite. Levante. Uma marionete que tenta se livrar das cordas que a prendem mas que mesmo tentando desesperadamente não consegue seu intento. Lágrimas que ninguém vê escorrem pelas faces dela. Mesmo assim a maldita vida cotidiana segue, sem prestar atenção ao que essa marionete deseja ou pensa. Simplesmente o rio da vida corre, serpenteando por aí. Não há lugar para mim, estou confinada a espaços aos quais não pertenço. Busco saídas que não existem. No peito uma dor que me deixa estática, que me deixe assim sem rumo e triste. Então sinto as cordas serem manipuladas e lá se vai a marionete para mais um dia, para mais uma noite, para mais o que? Não sei! Será que marionetes sonham? Se sonham, devem sonhar com um mundo sem cordas ou com sorrisos verdadeiros. Ou talvez ainda com beijos sinceros, toques macios... Mas acho que não sonho, simplesmente sigo, com essas malditas cordas sendo manejadas ao bel prazer de algum insano. Não permitindo a tosca marionete manter seus sonhos ou desejos, sendo empurrada para mais um acontecimento, sendo espectadora forçada de um vida qualquer. As vezes existem momentos em que a marionete quase consegue romper as cordas, quando isso ocorre a reação é instantânea, as cordas são rapidamente substituídas por outras mais fortes e mais restritoras. Não há escapatória, não há vida, não há nada... Somente as cordas que pensam por ela, que sugam sua vida. Uma vez houve um raio de esperança, foi um momento tão lindo, intenso, mas as cordas conseguiram superar isso e a marionete segue seu rumo atada a cordas que magoam e maculam seu pretenso espírito. Ela segue por aí ao sabor das cordas que os outros fingem não ver, mas que poucos não tem. Assim seguem. 

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