quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Mundos


Em um mundo virtual e distante me apercebo de como o ser humano é cheio de extremos. Na sua grande maioria as pessoas só vêem o que querem ver, e o que não está de acordo com sua crenças ou desejos é considerado errado. Observando que nesse mundo é a força e a maldade que fazem as honras fico pensando em como esses mesmos seres humanos devem agir no seu cotidiano. Muitas vezes a crueldade me fez recuar, temer até mesmo pela minha sanidade, agora dou um sorriso meio sem graça. Em um mundo povoado por magos, guerreiros, sacerdotes e assassinos, fui escolher justo aquele que é considerado por todos o mais fraco. Talvez um traço da minha personalidade, será? Os meandros desse mundo ainda me causam assombro, ainda me deixam nervosa e com uma tendência a pensar será que essas pessoas agiriam assim na vida real? Chego a temer pela resposta. Vi um egocentrismo exacerbado, criaram um monstro, aliás um não, vários, mas todos dependentes do primeiro. Depois quando os monstrinhos menores se acharam suficientemente fortes, se uniram contra o criador. E eu pensando mas que diabos é tudo isso? Por que eles podem matar os mais fracos, os que não estão cobertos pelo manto de determinada facção e saírem impunes? Onde há justiça e honra? Com certeza não do lado deles. O tal monstro primitivo não passa de bravata. E os menores são crias mal cuidadas que resolveram tomar o poder. Lembro-me que ouço desde menina: Dê poder a um homem e saberá de que têmpera ele é feito. Sinto nojo ao comparar esses ditos homens ao meu ideal. Sem querer, sem pretensão e acredito que pela mão da Divindade em meio a treva surgiu um guerreiro, que sempre foi atacado por todos, sempre apontado e sempre caçado. Algo me levava na direção dele. Queria entender como e porque ele agia de forma totalmente inversa do que estava claro que era a regra. Em meio as conversas descobri que aquele homem, levava a risca o código de cavaleiro, hoje em dia já esquecido, e se propunha a ajudar o monstro que estava agora abandonado. Minha primeira reação foi: Que diabos estás fazendo? Ele de modo direto me explicou com as seguintes palavras (mais ou menos): Quando todos te abandonam, alguém tem de estender a mão. Não é justo o monstro ser punido pela maldade de todos os outros que cresceram as suas custas. Fiquei em silêncio. Afinal, nada havia a responder diante de tal conduta. Todos os outros se levantaram contra ele. Queriam a qualquer preço sua cabeça. Devo admitir que senti medo, mas ele sabia o que fazia. Enquanto os monstrinhos posavam de bons moços, o guerreiro jogava na cara deles como é ser honrado. Meus sentimentos iam do medo ao desejo que ele vencesse. Ele vem vencendo, só não sei a que custo. Enquanto o caçam pelos mapas do mundo, ele os chama para o combate. Uma guerra estourou, uma guerra suja, onde os mais fortes com raiva do guerreiro matavam todos os mais fracos que lhes cruzassem o caminho. A pergunta certa era por que não iam atrás que quem os matava? Respondo porque quando a luz encontra uma fresta na escuridão, as trevas são dizimadas. Essa facção tem medo de se mirar no espelho que o guerreiro carrega pra cima e pra baixo. Atacam os mais fracos usando a desculpa de que faziam parte da aliança do guerreiro destemido. Chega a ser engraçado, porque quando todos abandonaram o monstro criador, ele foi o único a se manifestar de modo contrário, deixando sua aliança e indo auxiliar um dito guerreiro mais forte. O mundo virou de cabeça pra baixo. De repente todos diziam que o guerreiro era de mentira, que usava de táticas baixas. Ao ver aquilo me perguntava estão falando do mesmo homem que eu conheço? Ou falam deles mesmos? Por que é certo aquela maldita facção matar e pilhar os mais fracos? Porque eles pensam que são generais, quando não passam de soldadinhos de chumbo. Agora quando essa mesma facção é atacada a reação é essa: Não pode! Não é certo! Gritam por justiça e honra! Aí vem a pergunta eles sabem o que significam essas palavras? Acredito que não. Eles distorceram tudo em proveito próprio. Os casamentos que vi nesse mundo me deixaram com um travo amargo na boca, diante de tanta mentira e desconsideração ao ser humano. Os homens tratam as mulheres como se elas nada fossem. E elas aceitam e fazem um jogo pior ainda do que eles. Manipulam os idiotas como se fossem fantoches. Decretam quem deve morrer ou não. Gritam pelo mundo afora que são jovens, ricas e belas como se isso fosse moeda de troca. Usam da dita feminilidade como algo baixo e mesquinho. Por estar envolvida com o guerreiro, fui apontada como uma mentira, mas na verdade eu fui só um meio para se atingir um fim. E talvez com isso ele acabou enxergando que eu não era o que ele queria. Vagando por esse mundo, agora só carregando o nome dele, fico a me perguntar o que será dele. Em meio aos monstros que tentam de todas as formas destruir as convicções dele. E de certa forma eles vem conseguindo, mas eu confio nele, sei da força que corre por aquela alma. Mesmo não podendo estar por perto, observo a postura e a delicadeza que se esconde sob a máscara da guerra. Poucos conseguem ver além do ódio ou rancor. A maioria é levada por seus instintos baixos. Nunca conseguirão tirar os pés do chão e voar como ele faz. Até o monstro criador demonstra respeito por ele. E eu no meu canto, sorrio, por saber o quanto ele ainda vai mudar a estrutura dos mapas daquele mundo. Avante guerreiro. Não desista. Mostre a eles o que é ter honra e conhecer a justiça. Estarei aqui de modo invisível, torcendo por ti e enviando o que sinto por você em silêncio. Observarei sua vitória. Para quem sabe um dia contar aos meus netos, o que é um guerreiro de verdade. O que é ser um homem.

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