terça-feira, 30 de julho de 2013

Inexistência.


Estou desistindo. Sabe não aguento mais dar murro em ponta de faca. Minha vida é sempre assim, faço de tudo para acertar as coisas e só me ferro. Sai de um inferno não tem muito tempo, pensei que pudesse respirar melhor, só para variar me enganei. Estou cansada de lutar, de explicar, de seguir em frente. Estou cansada. Essa luta diária para me manter sã tem literalmente acabado comigo. Não sou forte o suficiente, não sou amorosa o suficiente. PORRA!!! Não sou suficiente em nada! Então porque ainda insisto? Por que ainda quero estar viva? Droga de vida! Isso mesmo droga de vida. Hoje só queria alguém com quem dividir minha dor e minhas preocupações. E? Adivinha só? Não consigo parar de chorar. E mil pensamentos sombrios atravessam a minha mente. Por que me manter aqui? Por que continuar viva? Por que? Ah sim! Os filhos e a família. Mas nem eles sabem, e prefiro assim, o quanto essa merda de vida está me destruindo. Estou sem forças, estou sem esperanças. As que tinha, bem, devem ter evaporado ou eram mentiras inventadas por mim na vã tentativa de me manter viva. Sinto uma dor tão profunda que não consigo colocar em palavras. Não há como descrever. Minha descrença na humanidade está a cem por cento. A descrença em mim bateu todos os recordes da minha própria história. Quanta vezes me superei? E sempre começando de novo, tentando, seguindo em frente. Para que? Por que? Sou descartável, sou virtual. Sou nada. Não posso ter maus momentos, tenho de ser sempre gentil, amorosa e educada. Engraçado porque só eu? Contas e mais contas. Dívidas e mais dívidas. E o resultado alguém que não sabe mais o que fazer. Estou cansada. Estou entregando os pontos. Não sou forte, muito menos sou corajosa. Sou fraca e sozinha. Estou com medo. E numa solidão terrível. Alguns pensam que não. Nessas horas paro e penso comigo mesma, não é a mim que estão vendo. É uma miragem que criaram. Eu sou e estou sozinha. Na verdade se não fosse a minha família e filhos, sendo muito honesta, não estaria mais aqui. Eles sempre dão um jeito de me trazer de volta. Não quero estar aqui. Perdi as contas das vezes em que fui enganada, culpa minha, por acreditar que os outros pensem como eu. Perdi as contas das vezes em que fui sacaneada, roubada, rebaixada e menosprezada. Estou cansada. Estou entregando os pontos. Não suporto mais viver nesse maldito planeta e conviver com seres que nunca são verdadeiros. Depois eu que não sou transparente, é para rir não é? Estou cansada de ser mandada embora, de não ser aceita, de ser sempre a última opção. Sabe aquela que não tem nada melhor,então vai essa mesma. Essa sou eu. Não quero mais estar aqui. Ou em qualquer outro lugar. Queria simplesmente desintegrar. Não existir. Seria tão simples. Assim não sentiria nada e não esperaria nada. Não existir. É isso que quero. Quando não se existe, não se ama, não se machuca, não se magoa, simplesmente não há nada. Quero esse lugar ou estado. A inexistência. Cansei de abrir meu coração, de esperar que o outro pudesse me ouvir quando estou triste ou quase insana. Eu sei que todos tem seus problemas, que todos tem seus mundos, seus momentos. Entendo tudo isso, mas por que quando chega a minha vez, não posso ser entendida? Não sei. Estou cansada. Parada na beira do precipício a ponto de pular. Entregar meu corpo ao espaço e me tornar nada. Não existir. Assim talvez seja melhor. Não tenho para quem voltar, não tenho nada. Ao longo dessa merda de vida, fui perdendo tudo. O que me resta são memórias. E algumas muito dolorosas. Estou cansada de ser deixada para trás, por qualquer motivo e ainda dizerem que a culpa é minha. Estou cansada de estar aqui. Quero não existir. Simplesmente isso. Acreditar em amor, em bondade, em respeito sabe o que me trouxe? DOR!!!! Muita dor, dor na alma, no espírito e sempre acabo caindo no mesmo erro, acabo sempre acreditando, sempre na esperança de ser real. Como sou tonta. Por isso prefiro não existir. Assim não sentiria nada. Absolutamente nada. Seria como o ar ou como qualquer objeto. Um folha levada pelo vento de um lado para outro. Sem consciência. Sem amor. Sem memórias... Estou cansada e meus olhos doem... Hoje não vejo mais o fim do túnel. Tudo o que vejo é o vazio. Eu sou o vazio... Estou cansada... Estou desistindo... De tudo. De acreditar. De amar. De tentar. Chega uma hora em que o melhor é realmente desistir. Quando nada do que se faz parece ter sentido ou valor para o outro. Quando simplesmente se é jogado fora como algo descartável. Essa sou eu. O coração dói. Claro que é uma metáfora... Mas é como se ele não pulsasse mais, como se a máquina estivesse a ponto de parar. Afinal quem se importa? Se tudo é virtual, se tudo não passa de uma maneira de dizer: Olha agora tenho coisa melhor, então pode ir embora. Não é a primeira vez que acontece. Aconteceu com a minha filha, porque não com os outros, não é mesmo? Realmente, pelo jeito todo mundo é melhor do que eu... Estou cansada... Estou entregando os pontos... Estou desistindo. Entregando não, já entreguei... E quando olho para os lados me vejo só... Mas como dizem por aí: A vida é assim mesmo... Deve ser. E qual a diferença? Se sou descartável e virtual? Nenhuma. Afinal quem quer estar com alguém que é uma miragem, não é? Entreguei os pontos... Quero a inexistência. Assim não me sentirei como uma anormal, que acredita em amor, amizade e bondade... A inexistência.

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