quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O Faraó


De algum lugar do passado ou não ela se sentiu atingida pela vibração dele. Seu primeiro movimento, instintivo, foi o de se recusar a ver ou ouvir. Banindo da sua mente consciente tudo o que ele trazia, tudo que significava. Não era isso que ela buscava. Não era encontrar com ele. Nunca fora na verdade. Estava auxiliando um outro ser, parecido até certo ponto com ela mesma. Nada indicava que aquele caminho cerrado há tanto tempo novamente se abriria. Como isso fora ocorrer? E por que novamente ela caia naquela maldita armadilha dele? Ela não ousava pronunciar seu nome, o chamando sempre por Faraó. Que era o mais perto que se permitia chegar dele. Mas mesmo assim ele a alcançava. O Faraó a envolvia em suas artimanhas e labirintos. Quando o ser por quem ela se sentia atraída lhe perguntou como era possível ela saber tanto sobre aquela figura, ela só comentou que já haviam se encontrado antes e nada mais. Então começou a brincadeira de gato e rato. Quanto mais ela negava mais o Faraó se fazia presente. Em um ato de rebeldia ela aceitou entrar no jogo, pensando que se assim o fizesse ele perderia o interesse. Mas não contava com a simbiose que aquelas personas estavam vivendo e a arrastando para aquela teia. Enquanto tentava separa o que era fantasia da realidade mais ela se perdia no caminho. Os sonhos passaram a deixar marcas no corpo físico. O mais impressionante é que depois disso o homem passou a sonhar de uma forma mais consciente. Então ele lhe comunicou que já haviam entrado em um certo acordo. Ela suspirou em pensou: 
- Hora de conversar com o Faraó, com certeza ele irá me liberar, afinal já conseguiu o que queria. Um canal atual. Então posso me distanciar.
Nova surpresa a esperava. O Faraó de alguma forma, ela bem sabe qual, conseguiu acessar seu íntimo, e lhe perguntou:
- Em minha mente de forma distorcida chega uma imagem como se a houvesse ferido. Aconteceu algo assim?
Ela prontamente negou e tratou de mudar o rumo da conversa, levando para o canal que ele usaria. Então o Faraó diz com calma e sarcasmo escorrendo de cada palavra:
- Nós só começamos. Ainda temos muito o que acertar. E não, você não irá se afastar. E sabe disso tão bem quanto eu, não é pequenina?
Ser chamada de pequenina a fazia ferver. Pois não era real, ela não era pequena, muito pelo contrário. O Faraó notando sua irritação dá aquele sorriso de canto de boca a provocando a mais uma discussão:
- Algum problema pequenina?
Ela respira fundo se afastando dele, se fechando em copas, respondendo:
- Nenhum. Só não entendo o por que ainda me quer por perto? Afinal os dois estão se entendendo.
O Faraó balança a cabeça com uma certa impaciência e diz:
- Sabes bem pequenina, que ele não está acostumado com os sonhos e muito menos comigo.
- E eu estou? Óbvio que não.
Agora ele ri abertamente trazendo em si um tipo de escárnio que a faz tremer. Ela decidi acabar com a conversa. Ele sabe o próximo movimento dela e se antecipando diz:
- Até uma outra hora pequenina. - E some como se nunca tivesse estado ali.
Ela chega a se perguntar se não era uma ilusão da sua mente. Então seu telefone toca, ela atende e ouve a voz do seu "amigo":
- Oi! Você está bem? Aconteceu alguma coisa?
- Estou bem. Não aconteceu nada, por que a pergunta?
- Tem certeza Koré?
- Só o de sempre Audere, nada além disso.
- Foi ele não é? O Faraó, não foi?
- Sim foi, mas agora estou cansada e preciso dormir, não se preocupe estou bem somente cansada.
- Ok! Nos falamos amanhã. Beijos
- Beijos. - Ela desliga o telefone e se pega pensando naquela figura sombria. Que vinha de um lugar onde não havia tempo, espaço... Ele carregava o caos no próprio ser. Ele é o caos.. Ela se pega pensando que poderia simplesmente ignorar os dois. Eles que se resolvessem. Ela caíra ali por acaso como o Faraó bem frisara em outra conversa. Mas não poderia deixar seu "amigo" Audere sozinho, ela se preocupava com ele, o queria bem. Quanto ao Faraó, não se permitia nem mesmo pensar se havia algum sentimento ou não. Fora a raiva que ele lhe causava.. Foi dormir, assim que caiu no sono, sentiu o chamado dele. Tentou não responder, ignorar mas de nada adiantou, quando deu por si estava naquela câmara outra vez. E ele dizia:
- Não tente fingir que não ouve meu chamado pequenina, nós sabemos que não funciona. Não é mesmo?
- Não temos mais nada a tratar. Conduzi Audere como foi acordado. Agora já tens outros para lhe servir, suas garras estão afiadas, seus tentáculos tocam todos que queres. Então não sou mais necessária.
- Quem diz isso sou eu! Estás com medo? Não queres dar o passo seguinte? - O Faraó estava claramente desafiando a mulher a sua frente. Conhecendo sua têmpera sabia de antemão qual seria a resposta.
- Não tenho medo. E aceito seu desafio! - Diz ela cheia de brio.
Ele ri e estende a mão para tocar a dela selando o desafio.
Ela acorda e pensa:
- Por que sempre caio nessa mesma armadilha? Deveria ter aprendido da outra vez mas, não tenho sempre de aceitar o que ele quer!!! Sempre!
Olha para fora sabendo que ainda não amanheceu e se ajeita para dormir novamente, antes de entrar de novo no sonhar, sente aquele riso sarcástico e cerra os dentes....

Um comentário:

lemuria disse...

Explêndido conto! Fico extasiado com cada linha que escreves!