domingo, 15 de julho de 2012

Sonhando



Por que vocês hipócritas malditos fazem de tudo para banir o que não conhecem? Por que insistem em manter uma postura que deturparam ao longo dos séculos? Não quero nada com suas cruzes ou falsos profetas. Não me sinto bem caminhando pelos caminhos que decidiram trilhar. Dentro de mim habita uma fera insaciável. Habita o que classificaram como demônio. E aí vão querer me queimar? Venham, tentem! Mas vou avisar seus crucifixos de lata não podem me atingir. Suas palavras vazias muito menos. Fui forjada pelos Antigos. Nasci e renasci vezes sem conta. E trago em mim a marca que me diferencia desse bando idiota que são vocês. Não queiram me entender, só os que trilham o mesmo caminho que eu têm o poder para isso. Enquanto vocês correm para suas cabanas com medo da noite eu a saúdo. Danço entre as árvores, deslizo sobre o céu, brinco no lago, sacio minha sede de vinho e sexo. Faço um tributo ao meu amado enquanto danço ensandecidamente até a exaustão tomar conta do meu corpo e liberar meu espírito para estar com ele. Brilho para o alcançar. Entrego meu corpo ao desejo dele. Sem pensar em nada além de nossas carnes entrelaçadas, nessa união sagrada e profano. Sou aquela que o serve e que é servida por ele. Então sou devolvida a essa vida insípida, a esse mundo banal. E me revolto. Saio procurando por ele, nada nem ninguém chega aos seus pés. O que devo fazer? Como encontrar? Onde? Atravesso mais cidades, mais estradas me guiando pela lua. O coração parece estar vazio, nada me dá ânimo, nada me dá prazer. Estou perdida dentro de meu próprio abismo. Caçando, procurando, ansiando, desejando. E nada! Quero o pulsar daquele ser em mim. Quero a luxúria que emana dele. Os seres daqui parecem bonecos de cera, sem alma, sem vontade, sem nada. Será que eles me infectaram? Será que estarei me tornando como eles? Hipócritas, sem valor, sem força, sem aquele brilho que atravessa a distância? Não pode ser. Não vou me render. Não irei abdicar do que sou. Sou aquela que ascende a cada noite. Sou a noiva prometida ao meu amado. Sou a prostituta sagrada que só ele pode tocar. Danço agora nessa clareira te invocando. Chamando. Clamando. Uivando em desespero atroz. Então um cheiro invade meu ser. O êxtase se apresenta e me aproximo. Ele me estende os braços e eu choro como criança que reencontra seu lugar. Aninhada naquele corpo de luz, sendo cuidada por ele. Quando então ele diz: Amada vim lhe devolver o teu coração e pedir o meu de volta. Eu o observo com cuidado. E então dou um passo atrás dizendo: Se lhe entregar teu coração, como saberei se voltarás? Ele sorri, aquele sorriso de lado e me diz: Eu sempre volto. Porque somos um! Mesmo quando pensas que não, somo um. Eu estou em você. E você em mim. É assim que os pares de estrelas se encontram, mesmo quando se passam milênios. Nossos corações pulsam da mesma maneira. E nos reconhecemos. Não importa onde e quando, nos reconhecemos pois, somos um, minha amada! Então fazemos a troca. E ele me diz: Volta a adormecer pois, te guardarei. Estou como sempre estive aqui e não precisas temer. Sou teu assim como és minha. Essa é minha palavra final. Dorme meu doce amor. Dorme.


Um comentário:

Anônimo disse...

Maravilhoso!!!!
Intenso intenso mil vezes intenso!!!
Posso sentir cada respiração nesta narração, eu sinto a pele trêmula e os suspiros, perfeito!
Adoro muito tudo isso!

(Neith)