sábado, 7 de julho de 2012

Contradições

Já é madrugada. Acendo mais um cigarro. Olho ao redor. Nada vejo. E na verdade não me importo. Houve tempo em que estaria arrancando os cabelos por estar sozinha. Perguntando a mim mesma por que isso acontece comigo:? Engraçado com o passar do tempo fui adquirindo hábitos diferentes e mais prazerosos. Sinto falta de pertencer a alguém? Sim, sinto. Estou desesperada por conta disso? Não! Quando se escolhe um caminho se tem várias opções. As minhas foram feitas de forma consciente e racionalmente. Pode parecer estranho a quem lê. Mas esse blog como outros onde escrevo tudo que me vai na alma é recheado de contradições. Até porque cada um de nós possui suas contradições. Lá no começo, assim que adentrei o universo BDSM, pensei: Moça isso é um loucura. Como assim aceitar ordens, chicote, algemas, velas e por aí vai? Como assim se sujeitar? Pior aceitar humilhação vinda de outro? Você tem algum problema sério (risos). Mesmo com esse tipo de pensamento fui em frente. Aprendi muito, com pessoas especiais, que me marcaram sem nem ao menos se aperceberem disso, ou melhor acredito que alguns saibam sim, outros ficaram no passado, afinal a vida é assim mesmo. Houveram momentos lindos, prazerosos e claro os nem tanto mas, isso faz parte também. Tem algum tempo que estou num impasse renhido comigo mesma. Estive afastada por mais de dois anos do meio. Primeiro pela própria vida cotidiana e em segundo lugar porque havia me desgastado muito. Então um instinto mais forte do que a razão falou mais alto e voltei. Ainda me sinto deslocada. Ainda observo como tudo mudou, se transformou. Não estou aqui fazendo julgamentos ou coisa que o valha, escrevo sobre como me sinto e o que vejo. São minhas opiniões somente. Gosto de conversar, fazer amizades mesmo as virtuais que espero algumas se tornem bem reais e palpáveis, mas tudo a seu tempo. Sinto ainda aquela ânsia, aquele desejo, é como uma rede que envolve me ser e quanto mais tento me libertar mais me prende e me machuca. A figura do Dono pra mim é algo muito concreto, sólido e masculina. Quando e se voltar a me curvar a alguém, ele terá de entender antes de mais nada que sou um ser feminino, portanto, cheia de inseguranças, de graça escondidas e outras bem claras. Terá de conquistar minha confiança antes de mais nada. Porque sem ela como me submeter. Como permitir que ele me use e abuse? Não tem como. A química e o tesão também deverão estar presentes, afinal o que buscamos é o prazer, o sexo animal, arrebatado, devastador. E não me venham dizer os puristas que BDSM não inclui sexo. Inclui sim. Talvez o mais perfeito que conheço. Sentimentos? Somos humanos sentimos uma gama enorme de emoções e sensações. Então porque cismam em separar sentimentos dentro do SM? Ah sim! Talvez porque como levamos vidas paralelas, temos de separar também o que sentimos antes, durante e depois das sessões. Por favor!! Sentimentos são sentimentos e ponto final. Não são eles delimitados simplesmente acontecem. Existem várias formas de dominação e submissão. Existem várias formas de entrega e de posse. Assim como existem vários tipos de pessoas. Talvez o grande problema dentro do meio seja como determinar onde começa  e termina a dita relação. Já me debati muito com isso dentro dessa minha cabeça onde pensamentos são tão desencontrados. Então de novo entendam é somente a minha opinião. Se há um limite as duas partes envolvidas devem saber exatamente onde começa e termina. E não só uma delas. Porque geralmente isso vai acabar em confusão. As conversas antes e depois são o que torna tudo isso mais fácil de entender. Vejamos se um dominador é casado, como é muito comum, ele deve usar de honestidade com a submissa, não estou falando para abrir sua vida e sim para estabelecer limites e prioridades. Ninguém gosta de ficar esperando, esperando e de repente chega uma mensagem de texto, dizendo não vai dar. A submissa vai ficar triste e com certeza irritada. E não me venham com a máxima de que nós não podemos nada! Podemos sim, a partir do momento que nos entregamos, que dedicamos a parte essencial da nossa vida para um Dono. O que faz uma submissa feliz? Pensam os senhores que são as surras, as agulhas, as algemas, os chicotes e nem sei mais que parafernálias? Isso faz parte do pacote com certeza, mas o que faz a submissa feliz é ser cuidada, ser guiada pelo Dono. Isso faz toda a diferença. Chega um momento em que a submissão está tão arraigada nela que ao comando do Dono seria capaz de ultrapassar limites que antes ela nem sonharia. Mas para tanto o tempo é algo fundamental. O cuidado, a posse, o conduzir tudo isso leva tempo. Nenhuma relação é construída da noite para o dia. E mesmo o rompimento vai acontecendo aos poucos. Estou em um momento onde caminho devagar, observando a dança que acontece entre o Dominador e a submissa. Alguém já se deu conta que essa dança é a conquista, a tomada de poder, o começo da entrega. São vários passos para à frente e depois vários para trás. Leva tempo. Tem de ser cuidadosa. E por que? Simples porque a arte da sedução vai sendo construída e dirigida devagar e lentamente de ambas as partes. Cada investida recebe uma resposta. Nem sempre o que o outro esperava, há surpresas e mais surpresas. Há risadas e seriedade. Tudo isso é a base, o alicerce para a futura relação. Que deve ser baseada na honestidade e no carinho. Em posse e entrega. Sinceridade e alegria. Amor? Talvez, afinal ninguém manda no coração. Mas acima de tudo cumplicidade e respeito. Acho que talvez eu esteja sendo muito utópica, mas paciência, ainda acredito nos seres que somos. Podemos melhorar, avançar, seguir em frente. Mas quando nos sentimos amparados é muito melhor. Hoje em dia onde as relações são tão efêmeras devo estar mesmo idealizando. Será que deixo meu coração ou espírito falar mais alto do que a minha razão? Talvez. E por isso mesmo acabo sendo cada vez mais seletiva, mais sozinha e mais centrada. Contradição? Penso que não. Não vou me entregar a quem não possa entender os meandros da minha alma, porque sem isso ele não saberá entender os meandros do meu corpo. Agora vou dormir porque já escrevi demais. Acredito até que esse texto ficou um tanto confuso mas enfim quem sempre está com a razão? Ninguém. Todos somos feitos de contradições. Aceitemos o fato ou não.

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