sábado, 2 de abril de 2011

Normalidade e Anormalidade

Pensei que iria escrever aqui sobre minha breve despedida do meio virtual, pois estou voltando para casa onde não tenho microcomputador e muito menos internet. Mas, uma conversa no MSN, com um amigo recente me fez desistir de uma despedida lamuriosa e me decidir por escrever sobre o que pode ser considerado normal ou anormal. Muitos pensam que BDSM seja uma doença, conhecida por parafilia, que trocando em miúdos seria um tipo de transtorno no comportamento sexual ou vários. Muito bem, mas quem é normal ou anormal? Quem pode dizer se esse modo de praticar sexo é bom ou não? Pensando aqui com os meus botões. Ninguém. Não estamos no mundo para julgar o outro, ou para ser julgado. Cada um busca sua forma de ser feliz ou não. Quando a pessoa se aceita, qual diferença faz se você ou eu dizermos que isso ou aquilo é certo ou errado? Na realidade nenhuma. Eu não vou deixar de ser submissa porque alguém pensa que isso seja anormal. Fala-se muito por aí que submissas tem baixa auto-estima ou que sejam pessoas que são mal resolvidas seja sexualmente ou não. Bom mais uma vez tenho de discordar, a mulher que se submete, o faz por prazer e por saber que aquela é a forma onde se sente absolutamente fêmea, mulher, amante. A maioria de nós para os que não sabem, chegamos aos domínios do BDSM sem realmente se conhecer e algumas pasmem antes nem sabiam que eram capaz de sentir prazer, gozar e ter orgasmos. Então me pergunto: É normal uma mulher não ter nada disso? Se a resposta for positiva, prefiro ser doente, porque adoro me sentir uma cadela no cio e poder desfrutar do prazer que é sentir quando o Dominador me açoita, me sufoca e me faz tremer nas bases. Se ser normal é transar só o papai e mamãe, aliás eu também gosto, mas pra mim não é suficiente, sou doente também. Nem vou me aprofundar nas técnicas porque isso não vem ao caso. Até porque quem deve conhecer as técnicas na realidade é o Dominador, a submissa saber seus limites. Tratemos agora de humilhação. O que vem a ser isso mesmo? Segundo um dicionário: s.f. Ação pela qual alguém humilha ou é humilhado; afronta: receber uma humilhação.
Abatimento, submissão. Nos termos encarados no meio: A submissa gosta muito ou pouco, de modo privado ou público de ser humilhada pelo Dominador a quem pertence. É um ato de carinho, de sujeição a quem domina. Ela se doa nesse momento em prol do prazer do Dominante. Há várias formas de humilhação. Não entrarei em detalhes pois cada um tem seu próprio modo de pensar, de sentir e de interagir quanto a isso. Só deixo claro que mesmo isso é tratado, conversado e acertado entre quem se submete e quem domina. Todos sabem ou deveriam saber que no BDSM o que vale sempre é o São, Seguro e Consensual. Volto a me perguntar as pessoas que atacam pelo menos pararam para analisar esses conceitos? Que são usados em praticamente todas as esferas da nossa vida. Se analisarmos veremos que se pautarmos nossa conduta por aí seremos mais felizes dentro e fora do contexto sexual. E tem mais BDSM não é somente sexo. Há envolvimento pois todas as relações humanas circulam e se mesclam por aqui. Fiz amizades que hoje me são muito caras nesse meio. Amei pelo menos uma vez também por aqui. Aí alguém pergunta em algum lugar no meio desse deserto virtual se um dominador pode amar sua submissa? Pelo amor de todos os Deuses. Prestem atenção crianças mal-criadas e por vezes birrentas: Amor é um sentimento humano, os praticantes do BDSM são humanos, então estamos sujeitos a toda gama de sentires próprios da espécie. Qual a excentricidade disso? Um Dom não é homem? Uma sub não é mulher? Claro que pode acontecer o amor sim. Mas não nos termos ditos normais. E sabe por que? Porque nosso modo de amar é mais intenso, mais claro, mais sincero. Não necessitamos de mentiras. O Dom tem o direito de ter quantas submissas quiser e puder cuidar. A submissa pode se quiser somente procurar por sessões avulsas, se não quiser um comprometimento. Aqui não é necessário se usar as máscaras que a sociedade impõe aos hipócritas e que a grande maioria aceita e ainda diz amém. Nosso jogo é aberto e muito claro. As pessoas envolvidas sabem exatamente o que querem, o que desejam. E isso não é teoria. Funciona assim mesmo. Se gostou ótimo senão cai fora. E tem mais, nesse universo se ficamos é por opção. A coleira só é usada porque gostamos. Porque queremos nos sentir usadas, abusadas, humilhadas sim. E amamos muito. Entrega é isso e muito mais, que agora não vem ao caso. Quanto ao Dom amar ou não, tudo depende de como a relação vai fluir, do que acontecerá entre ele e a sua submissa. Mas o que ele ama em primeira instância é a posse e a entrega feita a ele. O que vem depois de verdade? Só diz respeito aos dois ou mais envolvidos e não é da conta de ninguém. Então na minha concepção somos mais normais do que os que se dizem normais. Nos assumimos e pronto. Não necessitamos de aprovação, nos aprovamos. O Dominador aprova a sua submissa. E ela a ele. É assim que somos e ao meu ver estamos muito bem obrigada. E sabe por que? Porque assumimos cada um sua parcela da dita anormalidade. Que os Deuses tenham piedade dos que não se assumem. Daqueles que mentem pra si mesmos. E que nos abençoem por sermos o que somos.

7 comentários:

Logos disse...

bem... quando o texto é bom demais não há muito o que acrescentar... penso da mesma forma. o que importa é que o que fazemos é são, seguro e consensual e não fere a terceiros estranhos à relação; e que somos felizes e nos realizamos desse modo. Então, dane-se o normal, o padrão, somos diferentes e não doentes. Ninguém tem a ver com a nossa vida, não obrigamos ninguém a ser BDSMer; então, se alguém está insatisfeito, que volte a sua maravilhosa vida baunilha.

yasminsub disse...

Que bom que gostou!!


Obrigada por comentar e por compartilhar a mesma opinião

Beijos

Yasmin

JANUS DOM disse...

Menina.....
Uma vez disseram que a simplicidade é muito complexa.
Você reduziu a conplexidade do BDSM de maneira absolutamente simples.
Não usou lugares comuns, nem o falso teatro que se ve pela net. Tudo realmente é simples assim.
E quanto ao " amor " dentro do SM, sempre foi meu pensar que ele existe e é real, mesmo para aqueles que não o admitem, pois o mais sádico dos Tops ama sua posse. Amam a sua maneira, mas AMAM, e o amor tem varias formas e facetas. Não se ama da mesma maneira todos e tudo. Simplesmente ama-se de maneira variada.
Outra vez, buscando as palavras de outro, TODA FORMA DE AMAR VALE A PENA.
AME, ame sempre, da sua forma e da sua maneira, e mais que isso, PERMITA-SE ser amada, da forma ou da maneira que puderem te amar, e não ma forma que você acha que deveriam.
Aceite o amor, pura e simplesmente.

Não desista do BDSM, como inicioui teu texto. Necessitamos de você no meio.
Tenha fé.
Pois, como disse um de teus pensadores favoritos,

TER FÉ É NÃO BUSCAR OUTRA VERDADE

Yasmin disse...

Maravilhosa frase!!!

E viva o filósofo!

Eu vivo Sr!!!

Anônimo disse...

Olá, Yasmin!

Não imagina o qto fico feliz em ler novamente palavras tão bem escritas e organizadas por você.

Espero que, entre trilhas e estradas às vezes mal sinalizadas, encontre sempre o melhor caminho pra você.

Um beijo,
Andre.

Tattourouge disse...

Boa tarde,

vim em teu espaço, gostei e já estou seguindo-o.

Aproveito para deixar o link do meu novo endereço de blog

www.tattourouge2.blogspot.com.

Espero tua visita.

Abraços,

Tattourouge

yasmin so yasmin disse...

Olá obrigada!

Irei ao seu blog e o seguirei tb...

Beijos

Yasmin