quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Somos Amor


Estou caindo em mais um abismo. A tristeza e a raiva habitam meu ser. Não acredito mais em palavras bonitas, invariavelmente elas são mentiras e fico com o coração sangrando por ter acreditado nessas mentiras e nos meus sentimentos. No final adoraria ser psicopata. Sem sentimentos, sem remorsos, sem apegos, sem nada. Infelizmente esse não é meu caso. Estou cansada de me observar e de me podar, mas as pessoas só percebem o que querem. E segundo dizem só dão o que tem. Então por que dou mais do que tenho? Por que não consigo amar raso ou pouco? Por que me entrego a sentimentos já sabendo que irei me ferir? Quanta idiotice habita nessa alma? Quanta teimosia? Durante um tempo, curto por sinal, pensei agora estou curada dessa doença chamada amor. Ledo engano. Sufoco, calo, mordo a língua, machuco as mãos de tanto pressioná-las. E mesmo agora esse maldito sentimento persiste. Como não aprendi nada da última vez pergunta minha mente ao meu coração, angustiada e desorientada. Então em um estalo a mente diz, isso é só carência, a necessidade de se sentir amada, de se sentir parte de algo. O coração silencia e bate um pouco mais fraco, de certa forma concordando, até que do mais profundo dele vem o grito: Não é só isso. Tenho a necessidade de amar. Tenho amor aos montes aqui, amor que foi sufocado, que foi soterrado, que foi jogado fora. Eu sou amor. Mesmo quando o mundo está ruindo aqui dentro e aí fora. Sou amor mesmo quando não me querem. Sou amor mesmo sabendo que serei desprezado. Sou simplesmente amor. Sem maiores pretensões. Sou você mesmo quando me negas. A cada passo do caminho estive, estou e estarei presente. A mente entra em colapso e de repente as lágrimas são a ferramenta para a cura. Lágrimas reprimidas rompendo a barreira imposta. No silêncio da casa há uma inundação de sentimentos e sensações.  No escuro do quarto os soluços são inaudíveis. No combate entre a mente e o coração não há vencedor. O que resta ao final é alguém quebrado e colado. Pedaços que não se encaixam direito e um grito de socorro que ninguém ouve. Após tudo o sono chega para apaziguar o quadro. Os olhos se cerram, mente e coração enfim de acordo. Somos feitos de amor. Mesmo quando menosprezados, mesmo quando espezinhados. Somos amor. Ontem, hoje e amanhã. Sabendo que haverá dor, somos amor. Cientes de que as mentiras existem, somos amor. Seremos assim até o último suspiro, convivendo com a dor e com a solidão. Enfim somos amor. Mente e coração agora apaziguados em um corpo alquebrado mas que sabe sem qualquer dúvida, somos amor.

Um comentário:

anjo só disse...

o amor é assim , ele tem altos e baixos , desce a lama e sobe ao ceu , é um continuo aprendizado ,é igual uma criança que aprende a andar ,mais nem todos tem o amparo dos anjos para não ter uma queda fatal.