quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Assim como eu

Noites e mais noites envolta em desejo, carinho e amor. Dias e mais dias recheada de alegria e esperança. E então de repente, tudo se esvai. Estranha sensação de abandono e uma tristeza, e também porque não declarar uma mágoa profunda e uma pitada de rancor. Nesses momentos o melhor é voltar alguns passos para trás, fechar os olhos e respirar calmamente. Claro que não é fácil. Claro que dói. Mas tudo na vida é aprendizado. Cada acerto, cada erro nos tornam mais um pouquinho experientes.  Fico a me perguntar por que a dor vive nos rondando e mesmo agora em meio a agonia, não encontro uma resposta. Permito que lágrimas escorram pela minha face, em silêncio, ouvindo minhas músicas e me lembrando do amor compartilhado. Por momentos me peguei pensando, onde errei, onde não fui o suficiente. Não obtenho respostas, somente o outro talvez saiba ou não. Mas chego a conclusão que no amor não há erros, talvez haja momentos desencontrados ou quem sabe uma queda por aventuras. Não saberia explanar sobre isso. E não cabe a mim essa parte.  Fecho-me em mim mesma. Fui julgada como louca e tantos outros adjetivos, mas penso que o que cabe a mim seria insistente, insolente e por que não louca também? Sim, louca por amor, pela noite, pelas minhas convicções e acima de tudo esperançosa, mesmo quando tudo indica que estou sendo deixada para trás. Mesmo quando não há uma palavra carinhosa. Quedo-me em um silêncio recheado de vozes e gritos que dizem: Por que continuas a insistir e investir? Resposta: Amor, palavra tão pequena e desgastada. Usada com os mais variados fins. Sem que se saiba seu real significado. Gostar não é amar. Amar não é sinônimo de dor, solidão. Praticar sexo muitas vezes nem chega perto do amor. Tesão muito menos. Talvez a errada nisso tudo seja simplesmente eu, por ter uma visão diferenciada do que seja amor. Sei que esse sentimento não se explica, não se racionaliza. Somente se sente. Nada além ou a menos ou a mais que isso. Sentir, mas em nossa grande maioria temos medo de sentir. Então aceitamos qualquer sentimento, ou um espelho de sentimentos onde deturpamos o que seria amor. Não há culpa aqui. E sim acredito limitações. Doar e receber parecem ser fáceis, mas como estamos despreparados para esses gestos que consumem nossa energia. Doamos sem saber ou ao menos nos perguntar, como acontece essa doação. Recebemos e não agradecemos, e ainda por cima fazemos de conta que era simplesmente um direito nosso. Quão enganados estamos sobre o que seja amor. Quanto desperdício de sentimentos. Quanta dor infligida por não sabermos apreciar o que temos e o que recebemos. Procuramos sempre uma saída para não irmos além de um determinado ponto. Medo do que? De sentir? Ou de não sentir? Guardo em mim e para minha própria proteção esse amor, porque não há como me desembaraçar dele. E assim vamos por caminhos diversos. Mas eu sei que sempre terei esse amor comigo. Mesmo doendo, mesmo sendo solitário, aqui permanecerá, abafado e silencioso, assim como eu...


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