terça-feira, 4 de março de 2014

Nossa história, uma parte dela


Há momentos na vida em que não se acredita em mais nada. Não faz diferença se estamos aqui ou ali. Parece que não existimos, são momentos dolorosos, imprecisos e profundamente tristes. Não sei se todas as pessoas passam por isso, espero eu que não. É como se um vazio preenchesse todo o ser. Como se não houvesse sol, lua ou estrelas. Somente um vazio árido. Sem vida. Já estive nesse tipo de situação algumas vezes. Há cicatrizes em minha alma que ninguém imagina. E no fundo é melhor assim. Estava já tão acostumada a essa fase da minha existência que não percebia mais o passar do tempo, para mim era tudo sempre igual. Pensando aqui era de certa forma confortável, a dor estava amenizada. Dias e noites eram iguais. Mas como a teimosa que sou fui procurar fogo para me queimar. A verdade é que não estava procurando nada ou ninguém. A sensação de solidão e afastamento era algo tão comum que não me incomodava. As vezes nos meus sonhos alguém dizia: Estou chegando! Ignorava esse aviso. Fingia não entender o que ele queria dizer. Cheguei a pensar que isso era minha loucura particular querendo me fazer viver ou algo assim. Por vezes senti a aproximação desse aviso mas, estava enganada. Com o tempo deixei de me importar com ele. Mesmo assim ele voltava e insistia. E eu continuei sem dar importância. Um dia sem aviso, sem preparação me deparo com o dono do aviso. No começou pensei estou maluca. Passei a observar de longe. Até que tomei coragem e interpelei a pessoa. Meu coração que até então estava sereno se agitou, se alegrou e se assustou. Minha mente me avisava se mantenha distante, já sabe o que acontece. Acontece que ele é como um imã ou melhor como um Anjo. É assim que o chamo e tenho meus motivos, não por conta do que partilhamos juntos e sim pelo que ele fez acordar em mim. Agora quando está tudo por um fio, quando ele já não está presente, é isso que me mantêm viva. Ao recordar o começo sorrio em meio as lágrimas. E não é drama é só felicidade. Mesmo se ele se for, mesmo com a dor sufocando em meu peito, restará sempre a felicidade que compartilhamos, a beleza e a doçura daquele ser. Aprendi muito com ele. Refiz várias passos, encarei monstros soterrados em mim, bani fantasmas que me machucavam. E tudo isso regida pela baqueta dele. Por aqueles olhos escuros e aquele sorriso que me deixa tonta. No princípio fui arredia, não acreditava mais em histórias de amor, mesmo esperando ainda viver uma,contraditória como meu Anjo sempre diz, mas eu me divido em duas nessas horas a que quer viver e a outra que me mostra o quanto isso pode machucar. No meio disso tivemos um sério problema. Alguém que ele ama muito necessita de amparo, como só anjos sabem fazer, ele passou a cuidar e se desdobrar, enfrentando a ignorância e também a boa vontade de outros. Talvez a culpa seja o que realmente atrapalha, já que faz a ignorância aumentar. Ele não consegue se fazer ouvir, mesmo mantendo a coerência ao argumentar. E em meio a esse amparo estava eu, sem saber se ficava ou ia embora. Lutando comigo mesma, querendo ficar e com medo. Um medo diria até irracional. Pesando na balança tudo o que já havia vivido, pesando todas as dores e dissabores. Com efeito me afastei, coincidentemente, houve problemas também da minha parte, o destino brincando conosco. Ao voltar me deparei com um cenário estranho e também com as acusações dele. Justificadas devo salientar. Após muita conversa, chegamos ao entendimento. Somos amigos, parceiros, cúmplices e amantes. Somos mais que marido e mulher. Falo por mim. Ele me puxa para si. Exerce sobre mim uma atração a qual ainda estou me acostumando. Então quando estávamos juntos fisicamente, me surpreendi ainda mais. Aquele rosto, aquelas mãos e aquele sorriso, eu já havia vislumbrado antes, e comecei a me perguntar onde? Então em um estalo ouvi a voz dos meus sonhos: Estou chegando! Sorri. Parecia que estava em meu lar. Aquele onde ninguém poderia me ferir. Foram dias maravilhosos, recheados de amor e tesão. De conversas e de silêncios. De lágrimas minhas simplesmente por estar lá. Não era tristeza, era agradecimento. Ao voltar para casa meu peito doía, pedi que ele fosse embora, não esperasse o ônibus, as despedidas me fazem chorar e não queria que ele se lembrasse de mim assim. Depois de perguntar se eu tinha certeza e ver minha afirmativa com a cabeça, pois se falasse começaria a chorar, ele se foi, logo depois embarquei. Tenho certeza que uma parte de mim ficou lá com ele. E é essa parte que me faz querer estar com ele, sempre. Mesmo quando há discussões, mesmo quando morro de ciúmes, o que eu detesto na verdade, porque me deixa insegura e fraca. Mas ao mesmo tempo como não sentir ciúmes de quem se ama? Sei que terei de aprender a lidar com isso. Só que é a primeira vez que sinto isso. Antes eu ria desse sentimento daninho. Talvez porque ninguém houvesse tocado tão profundamente a minha alma ou mesmo esse coração. Estranho como a vida nos ensina mesmo o que não queremos aprender!!! E eu não queria aprender esse tal sentimento. Sendo sincera já pensei em desistir, em deixar ir, mas algo me mim se rebela. Não quero estar sem meu Anjo, não é uma necessidade física vai além disso. E não consigo colocar em palavras. Sim eu sei que é amor e não, não consigo explicar. Por vezes sou assaltada por dúvidas, que ele mesmo sem saber dirimi uma a uma. Outras é ele quem trás à baila algumas. Nem sempre concordamos. Mas acredito que vamos superando obstáculos, alguns pequenos e outros imensos, que fazem com que me sinta distante dele. Distante e longe ao mesmo tempo, porque quem pensa que essas palavras significam a mesma coisa se engana. Já senti vontade de sumir, como acredito que ele também, mas o que nos une é ainda mais forte. E espero que continue assim. Nossos planos vão se armando, se arquitetando aos poucos. Diria eu muito aos poucos, mas ambos temos responsabilidades e com isso em mente vamos nos preparando para o amanhã. Mesmo quando há brigas e desentendimentos. Olhar para o rosto dele me faz bem, saber que aquele sorriso é para mim me faz ter fé na vida. Fé que eu havia perdido e que ele me devolveu, ao sorrir para mim pela primeira vez.

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