quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A vida e o tempo


O tempo muda tudo? Será mesmo verdade? Algumas pessoas acreditam que sim e outras que não. Tão difícil saber ou entender. E do nada vem a pegunta: E o que é o tempo? Será uma invenção do homem? Ou algo alheio ao próprio? Quem sabe? Ando me questionando, como se isso fosse novidade, mas agora as questões são mais profundas, mais solitárias também. Não é nada externo. A vida tem seguido seu ritmo. Se alguém me perguntar qual seria, diria simplesmente que ela segue em frente. Hoje consigo olhar para trás e simplesmente deixar o que aconteceu lá, naquele lugar sem necessitar me machucar ou me desesperar. Levei muito tempo para aprender isso. Algo que parece simples mas não é. A vida e o tempo são engraçados. As vezes a vida segue ligeira, como se corresse para alcançar algo. O tempo esse limitador aponta sempre na mesma direção. Estranho como as vezes queremos que um episódio termine logo e ele se arrasta, as horas então levam uma eternidade para passar. Em outros momentos, gostaríamos que tudo transcorresse em câmara lenta e o que acontece? Em um abrir e fechar de olhos, passou, acabou, terminou e ficamos com a sensação do quero mais. As vezes penso que a vida e o tempo dificilmente estão de acordo. Mas analisando chego a conclusão que os dois se entendem e muito bem. Tudo é questão de perspectiva. De como se vê. A partir de que ponto passamos a simplesmente deixar acontecer, seja lá o que for. Quando o hoje vira ontem, como lidamos com isso? Como lidamos com a amor? Com a ausência? E mais com a saudade? De repente me vem a mente lembranças que me contagiam e me causam nostalgia. Um livro, um lugar, uma música e várias pequenas coisas que despertam em mim sentimentos que não acabam. A saudade nem sempre é triste. Ao recordar meu pai, por exemplo, acabo sempre sorrindo. Algumas lembranças não são tão agradáveis e ao longo da minha vida fui aprendendo a duras penas, como tratar, como não me machucar ou me julgar por acontecimentos muitas vezes alheios à minha vontade. Entender que cada um de nós tem o direito de estar ou não por perto, fazer parte da família ou não, levou um tempo considerável, novamente o tempo entrando em ação. Ao me desfazer dessas lembranças, consigo hoje não chorar, porque desfazer? Simplesmente não as quero plantadas no meu coração ou mente. Então as deixo ir. Assim vou me desapegando do passado. Deixando o que já passou em seu devido lugar. Tenho o coração repleto de novos sentimentos. E agora mais serena comigo mesma, assumo que estou encantada com esse jeito novo de me relacionar e me entregar. Claro que como tudo na vida, é uma via de mão dupla. E ao descobrir que a reciprocidade existe, o coração palpita, como se fosse a primeira vez. Como se nada houvesse antes. Assim vou seguindo, a vida e o tempo, brincando de esconde esconde. E eu seguindo em frente, com a sensação de estar despertando...

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