quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sentimentos


Hoje fui um dia muito estranho. Tive que sair de casa, algo que realmente não gosto muito de fazer, enfrentar o trânsito, as pessoas falando ao redor, um barulho ensurdecedor, mas há determinados momentos em que se tem de fazer algo, então se faz. Uns anos atrás adorava caminhar pelas ruas da cidade, prestando atenção em tudo ao meu redor, hoje simplesmente entro em pânico quando sou obrigada a ter de enfrentar esses fatos. Como a vida muda não é mesmo? Sempre gostei de observar o que me cercava, hoje prefiro não ter que me ausentar da minha casa, do meu refúgio. Estou ausente de tudo e praticamente de todos. Ando tão estranha que nem eu mesma estou me reconhecendo. Ter de encarar metrô, ônibus e todo o resto me deixou estafada. Sinto dor pelo corpo todo mesmo sabendo que isso é um modo do meu corpo me dizer que não estou bem. Voltei ao remédios, outra coisa que me deixa chateada comigo mesma, mas acontece que tenho de enfrentar os fatos, sozinha, sem suporte não daria conta do que acontece dentro do meu próprio cérebro. Então após ter admitido o fato, vamos aos medicamentos novamente. Olhando ao redor o que vejo é meu cinzeiro transbordando, meu copo de café e minha gatinha. As crianças foram passar as férias com o pai. Estou sozinha. O engraçado é que não me sinto sozinha. E houve época em que mesmo rodeada de várias pessoas, me sentia assim. Talvez o que chamam de maturidade esteja me alcançando e com isso estou me acostumando a estar assim. Fico me perguntando se será sempre assim? Ainda não sei a resposta mas, na verdade não importa. Parei de querer entender como eu mesma funciono. Estou aqui no meu canto, escrevendo porque preciso colocar para fora pensamentos que estão me rondando. Não é nada específico ou algo como perigo real. Mas algo acontece em algum lugar no universo e pode ser que eu simplesmente esteja reagindo a isso. Sentimentos vão e vem dentro de mim. Agora estou serena, nada como um dia depois do outro. Nada como estar sozinha e não se desesperar. Houve época que a simples possibilidade disso ocorrer me deixava transtornada. Com o passar dos anos, descobri que é melhor estar só do que mal acompanhada, como diz o velho ditado. Cansei de estar mal acompanhada. Cansei de ser degrau para alguém. Quando esse tipo de ser não precisa mais de mim, era sempre descartada, sem mais nem menos. Demorei para entender que o erro era meu. Afinal, quem deixava que esses tipo de ser entrasse em minha vida era eu. Agora simplesmente olho para trás e percebo o quanto fui usada em nome de algo em que somente eu acreditava. Durante um curto espaço de tempo admito que senti muita raiva e por momentos ódio também, mas, analisando quem sairia perdendo mantendo esse tipo de energia seria eu. Então o que sinto hoje? Nada! Não há espaço em meu ser para algo assim. Estou buscando a minha paz e não uma guerra interna. Quanto mais analiso o passado mais percebo que a tal lei de atração funciona, está na hora de mudar o que atraio para mim mesma. Não quero ser sempre a forte, sempre a que é procurada quando algo não vai bem ou quando não se tem outra opção. Meu silêncio de hoje nada tem a ver com os outros, é um silêncio interior. Uma aceitação do que sou. Aceitação essa que não foi fácil. A cada vez que tinha de me encarar era um parto. Mas, hoje estou calma. As vezes me estranho ainda. Choro ainda, sou humana mas, esse choro vem acompanhado de um alívio que antes não existia. Saber que faço o que posso, que continuo caminhando é isso que me faz bem. Uns tempos atrás estive a ponto de desistir de tudo. Estava tão cansada de dar murro em ponta de faca, de continuar tentando, e todas essas coisas que por muito pouco não dei um fim nessa coisa toda. Lendo um dos livros me deparei com algo que me fez olhar tudo com novos olhos. Não vou me lembrar qual deles era o livro, mas, em essência dizia mais ou menos assim: Se tudo está ruim, uma hora vai melhorar, quando você estiver pronto para que a mudança interna ocorra. Deu um estalo em mim. Estava pensando da forma errada. Não é o mundo ou mesmo as pessoas que tem de mudar e sim eu. Parece tão simples. Mas, não é. Temos tanta tralha acumulada, tantos medos que não nos pertencem mais, mas eles continuam ali, nos assombrando, nos pregando peças. Limpar a própria mente não é fácil. Você se depara com fantasmas antigos, e o pior usando novas roupagens. Aos poucos conforme vamos abrindo espaço é que percebemos o óbvio: Aquele monte de tralha só serve para nos manter presos ao passado que não mudará. Que por mais que se queira não deixará de existir. Então o que fazer? Seguir em frente, sabendo que o que passou, passou. Simples? Nenhum pouco. Nos apegamos a velhos erros, a histórias que não são nossas e carregamos tudo como um fardo pesado, arrastando tudo isso pela vida a fora. Cansei disso. Cansei de querer salvar algo que não depende de mim. Preciso sim cuidar dessa pessoa que não pretende voltar a cometer os mesmos erros. Quero um destino diferente. Algo que me acrescente, nada que me diminua. Não assumo culpas que não sejam minhas. Não assumo erros os quais não tenha cometido. Que posso fazer se outros pensam que sou assim ou assado? Sou o que sou. Ponto final. Já era um pouco antissocial, agora estou pior. Embora adore conversar, não é com todo mundo e com certeza não é a todo o momento. Sou estranha admito. Mas quem não é? Algumas pessoas tem uma imagem de mim que não é quem sou. Talvez por eu ser ou tentar ser diplomática. Ou porque elas simplesmente querem me ver assim. Não sei bem. O que sei é que ao ver várias pessoas hoje, durante o dia todo ao chegar em casa, pensei minha cota de pessoas hoje já estourou. Muito barulho, muito falatório e tudo vazio... Era como se o mundo estivesse repleto de cascas vazias... Foi um tanto constrangedor esse pensamento mas é o que me passou pela mente. Cascas vazias...


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