terça-feira, 4 de junho de 2013

Ilusão


Sonhei com um guerreiro de eras atrás. Ou tive um visão sei lá o que aconteceu. Acontece que me sinto arrancada de mim ao perceber essa presença. Pondero sempre que isso só pode ser uma alucinação. Meu lado racional grita: Você está maluca? Sabe que vai se machucar. Então se mantenha centrada e realista. Concordo com esses gritos desesperados. Fecho os olhos e aí simplesmente esqueço de ser racional. Já não sou uma criança para me apegar a sonhos ou visões. Mentira!! Apego-me. Será que ainda acredito que algo poderá mudar? Que alguém poderá ver dentro de mim? Conscientemente sei que isso é irreal, que estou fadada a sentir o coração apertado e com o tempo estraçalhado. Então por que mesmo assim não sei me manter invisível? Por que busco por essa quimera? Continuo teimando. Continuo acreditando. Será que nunca vou aprender. Temo sinceramente que não. De onde vem essa maldita crença nesse maldito sentimento? Já não sofri o bastante? De novo a resposta que eu mesma me dou é: Não. Como alguém pode ser tão infantil? Sou um brinquedo nas mãos do tempo. E ele passa hora rápido e hora se arrasta. Nessa tortura infinita. Essa ânsia que percorre meu ser está me matando. Preciso focar no meu centro. Sem me esquecer que tudo aqui e ali é ilusão. Que meus sonhos ou visões são espelhos de mundos irreais. Mundos onde sou feliz. Talvez por isso me agarre a eles. Devo ser covarde isso sim. Encarar meu dia a dia não é tão fácil como muitos pensam. Encarar que se é descartável é sofrível. Venho aprendendo a encarar essa realidade. Mas dói muito, sinto a respiração falhar. Um aperto no peito. E lágrimas malditas teimam em rolar por essa face que por vezes não reconheço. Devo ter me perdido em algum ponto. Em algum lugar meu eu ficou para trás. E agora sou um fantasma que cisma em permanecer entre os daqui. Talvez por isso o guerreiro surgiu para me mostrar o caminho. Aquele que poucos conseguiram trilhar embora muitos tentem desesperadamente seguir em frente. Perdi o fio da meada dentro desse labirinto. Esse labirinto chamado eu. Após caminhar por muito tempo, estou fatigada, exausta. Pensamentos desencontrados se chocam em minha mente e de repente ele ressurge. Sem parar para pensar digo: Vá embora. Não quero mais caminhar, não quero mais acreditar. Ele sorri e me estende a mão. E de novo caio na armadilha. Sou capturada por sua aura, sua presença que me faz tão bem. Quando percebo que estou caindo, faço de tudo para despertar, banir aquela visão. Mas, de nada adianta... No mais profundo do meu ser, sei que contra todas as expectativas, quero estar com ele. Estranha ilusão... Estranha sensação... Essa que me invade. Sem querer refletir afasto de mim tudo o que possa ser racional. Todos os meus avisos. Estou surda de mim mesma. E aquele sorriso me basta... Mesmo sendo somente uma ilusão. Ele me basta... 


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