segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Viagem


Estava hoje me estado meditativo quando algo me tocou profundamente. Não sei explicar ao certo como aconteceu e muito menos como começou. Venho praticando meditação já faz um tempo. Minha tela mental e o silêncio interior tem me feito um bem enorme. Constatei algumas mudanças em mim e ao redor. Nada grandioso ou algo do gênero. Mudanças internas que vem acontecendo lentamente. Hoje algo dentro de mim despertou. Simplesmente isso, algo acordou. Estou em um estado de serenidade que há muito tempo não sentia. E isso me faz sentir estranha. Vejo tudo por um ótica mais ampla. Entendo meus sentimentos. Não os nego. Independente de serem assim ou assado. O ser humano tem a mania de qualificar sentimentos em bons e ruins. Só esquecemos que são sentimentos. Momentos da alma. Quando me dei conta que sentimentos são sentimentos, deixei fluir o que havia em mim. Sem qualificar racionalmente. Só senti em cada poro da minha pele. Com cada músculo e órgão. Senti o ir e vir da energia desses sentimentos. Percebi que alguns fazem o espírito se expandir e outros se retrair.  Perdi a noção de tempo e espaço mais uma vez. E era tão bom estar no vácuo. Poder pulsar com o Universo. Esticar os braços e tocar o todo e o nada. Surfar nas ondas da energia que não percebemos. A música tem sido minha aliada desde sempre. E de repente sinto uma conexão tão forte, praticamente existencial com ela. E me deixo ir pelas suas notas, acordes, timbres. Sinto a música se espalhando pelo meu corpo. Invadindo meu espírito e me alimentando. Na sequência as cores passeiam por mim e eu por elas. Numa miríade de sensações que não há como descrever. A paz que sinto me faz maior e ao mesmo tempo menor. Passeio por jardins tão aromáticos que meu olfato fica sensibilíssimo. O ar tem outro aspecto. As árvores são minhas irmãs. Sinto a seiva delas correndo pelo meu corpo. Encontro vários animais e descubro que sou como eles. Seus instintos e sua energia fazem parte de mim também. Percebo que a tal evolução é uma balela porque perdemos o sentindo de união entre nós e o resto do planeta. Sento-me embaixo de uma enorme árvore, ali perto corre um riacho que murmura poesias que nunca serão escritas. No céu as aves cruzam de um lado para o outro. O Sol e a Lua pulsam em mim cada um a seu tempo. Percebo que estou leve como as aves, plantada a terra como as árvores, livre como os animais que passeiam por ali e dentro de mim também. Então aos poucos vou voltando ao corpo e ao aqui e agora. Estou tão leve e suave. Algo mudou. Algo me tocou. Não sei qualificar somente sentir. E agora enquanto escrevo em meus lábios, olhos e dedos pairam sorrisos, gargalhadas e lágrimas... Um suspiro parte de mim para o infinito. Do finito para o infinito. Indo e voltando com uma graça e leveza tão gostosas de sentir que fico aqui me embalando aos sons que ainda povoam minha mente e com certeza permanecerão em meu espírito.

2 comentários:

lemuria disse...

Eu poderia proporcionar-te belíssimas viagens minha amada poetiza, poderia ser aquele que lhe tomaria o fôlego.

La Rosa Carla disse...

Vc pode tentar... Quer se arriscar?