sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Estranha


Estranha é como estou me sentindo. Não sei de onde vem essa sensação. Já parei para me analisar. Refleti e nada. Estou em um precipício bem ali na beirada. Olhando para baixo. Admirando o abismo. Ele me chama. Não há medo em mim só expectativa. Um desejo por algo que não consigo reconhecer. Estranha, eu ando tão estranha. Será a virada de ano? Será a mudança que pressinto nos últimos dias? Não sei. Fico aqui ansiando por algo que nem consigo nomear. Lembranças antigas me vem a mente. Revejo vários cenários. E hoje sei que me libertei deles. Das dores e mágoas. Dos amores perdidos ou desperdiçados. Vou deixando cair, sem lágrimas ou lástima. Aqui na beirada do tempo estou de coração aberto e me despeço do que ficou para trás. Em silêncio. Limpo meu espírito para uma nova empreitada. Sinto a leveza da alma. Não estou projetando nada. Não penso em ninguém. Há um vazio em mim. Mas esse vazio me faz bem. Há em mim novos lugares a serem explorados. Um suspiro de alívio escapa do meu peito. Essa sensação é tão boa que gostaria de guarda-la para quando estiver enfrentando problemas mas, ela se esvai rapidamente. Resolvo sentar no meu jardim interior. Afastei-me do abismo. Ali revi e senti as dores de outrora mas, dessa vez com a tranquilidade que o tempo nos dá. Sei que preciso repovoar meu jardim. Sinceramente não sei se estou pronta para isso. Fico sentada ouvindo minhas músicas e me deixando levar por elas. Então aos poucos vão surgindo a grama, flores, árvores gigantescas, riachos e uma linda cachoeira. Sinto o coração vibrar e me deito deixando o sol aquecer meu ser por completo. Minhas energias vão sendo recarregadas. Depois vem a lua e me banho em seus raios, sentindo a leveza da noite. Com os olhos fechados me sinto conectada ao Todo. Não quero sair desse estado. É tão bom e tão calmo. Permaneço em silêncio ouvindo meu corpo e uma outra parte minha. Escuto com atenção o que me digo. Retenho meus próprios conselhos, que são muito coerentes. Até chegar a hora de voltar. Devagar abro os olhos, a sensação de estranheza ainda persiste. Agora de uma forma mais leve. Sei que irei enfrentar novos desafios. Alguns que já começaram a se delinear no horizonte. Outros que não faço ideia. O medo espreita mas não me paralisa. Os passos necessários serão dados só que dessa vez com mais leveza. Não é preciso pressa ou recuar. Somente respirar profundamente e seguir em frente. Há tanto por fazer e viver. Ando mesmo estranha. Mas ao mesmo tempo acredito que estou me reencontrando depois de muito tempo ausente. Por isso quero ir com cautela. E quero me entregar aos meus sonhos e desejos. Só preciso me lembrar disso quando o medo tentar me imobilizar. Seria muito fácil ficar à margem. Mas isso não é viver. E eu quero viver. Necessito me esbanjar, me expandir, me multiplicar. O medo permanecerá sempre por perto. Claro que ele servirá como um tipo de aviso, aprendi a ouvir o meu medo. A entender como ele pode ser uma ferramente útil ao invés de me estagnar. Quero me aventurar em novos começos. Em novas aventuras. E assim o medo será meu confidente. Irá me ajudar a não esquecer os erros do passado. E assim seguirei adiante. Minha estranheza vem de mim mesma. Descobrir que estou aberta ao novo fez com que me sentisse assim. Pois, meu primeiro impulso foi o de me esconder. Por isso o precipício era tão convidativo. Chegando ali e encarando o abismo  é que me dei conta de que o passado não mais me assombrava. E pude rearranjar meu jardim. Sinto uma leveza e alegria por enfim sentir a liberdade do meu ser. Agora é hora de um novo capítulo. E assim será!

Um comentário:

Anônimo disse...

Estranha vc sempre foi...não É Carla LA Rosa...gosto mais da Carla!!hehe

ja sabe quem é neh???hhahah
beijos e feliz ano novo...