terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Conversando comigo



Está tarde e o sono mais uma vez me abandonou. Dormia até agora pouco. E de repente olhos abertos. Então resolvi fazer uma pequena reflexão sobre o que está acontecendo agora.
- Por que me envolvo em determinadas situações sabendo de antemão que aquilo não vai dar certo?
- Não sei,conscientemente ao menos não.
- O que desperta minha atenção afinal de contas? No caso em tela nada físico, nada palpável. Essa brincadeira de gato e rato me excita sem dúvida. Mas tem a contrapartida. Minha cabeça fica dando voltas em perguntas sem nexo algum. Talvez o que me desperte realmente seja a impossibilidade. O saber que não vai acontecer. E deixo que tudo se encaminhe sem colocar um freio. Não tenho nada a perder.
- Será mesmo? Uma voz lá no fundo me pergunta. 
E respondo:
- Perder o que? Nada ali é meu ou se aproxima disso.
- Então porque se preocupa?
- Porque me afeiçoo, sou assim. Inteira. Total.
- E sabe que está errada?
- Errada, não só deixo fluir.
- Sim, para depois fugir e fingir que não viu nada, como sempre. 
- Hei isso está virando um sermão.
- Bem querias conversar e cá estamos, então sigamos em frente. Sabe do que foges?
- Não!
- Vou-lhe contar tintim por tintim.
E penso porque fui resolver fazer isso agora?
- Porque você precisa se encarar. Vamos em frente. Seu medo não é o de não acontecer. O medo é de ser olhada com superioridade, com desprezo, com vilania.
- Ok! Não quero ouvir mais nada! Vamos parar esse assunto, até porque isso não sai do campo das ideias, da imaginação. 
- Será? Não sai por que? Na verdade o medo maior é sempre seu. Prefere nem tentar. Essa não é você.
- Claro que sou eu. Não sou sempre corajosa, destemida ou qualquer coisa assim. 
- Mentira! Você chegou até aqui sendo exatamente tudo o que negou agora. Então encaremos o fato de que o outro pode não gostar do que vai ver.
- Certo! Pode acontecer.
- E isso é um demérito seu? Machucará o que? Seu orgulho? Sua feminilidade?
- Pensando, acho que mais minha feminilidade. 
- Não minta para si mesma. Machucará seu orgulho. Sua feminilidade sairá ilesa. Já que independe dessa ou daquela pessoa. O medo mascara o que se sente. Está na hora de encarar de frente. Por  isso estamos insones. Querias um tempo sozinha para refletir. E essas reflexões só aumentaram o medo e sabe por que?
- Não.
- Então vou explicar: Você está supondo o que o outro fará ou dirá. Está vendo tudo pelo lado mais feio.
- Nada disso sendo realista. 
- Calada me deixe terminar. E não é realista, é o medo falando mais alto. E sabe porque permiti isso? Porque é mais fácil se fechar em copas do que enfrentar qualquer atitude do outro. Você se julga, se condena e depois quer que tudo saia exatamente como pensou. E ao simples pensamento que isso pode não acontecer entra em pânico. E sabe por que?
- Não!
- Porque é mais fácil pra você lidar com rejeição, com abandono, com tudo isso que já conhece.
- Não é bem assim.
- Claro que é você se mete nessas enrascadas pensando saber o desenrolar das cenas. Só se esquece que cada um reage de uma forma. Não estou falando com isso que esse será diferente, pode não ser. Mas se não se der a chance como irá saber? Já sei medo, medo, medo. Sabe ando cansada desse palavra. E tem mais quem já superou o que superamos, medo é uma palavra tão pequena. Chega a ser obsoleta. Claro que é mais seguro não acreditar em nada. E também mais confortável. Assim não terá que mudar uma única vírgula desse discurso batido. Estou cansada disso. Quero a liberdade do sentir. Quero sentir a sensação do toque, correndo pelo corpo e quem sabe atingindo o âmago. Há garantias? Evidente que não. Nada aqui é garantido. Mas é necessário sair desse casulo. Se dar uma nova oportunidade. Mesmo que quebre a cara. Não seria a primeira vez que iríamos juntar os pedaços. O que não suporto mais é esse limbo onde você nos enfurnou. Chega! Está na hora do próximo passo. Ano passado pensavas que não estaria aqui. Pois, estamos. E agora é seguir me frente. Correr riscos faz parte do trato. E quebrar a cara também. No fundo isso tiramos de letra. Quantas vezes já refizemos nossa vida?
- Várias.
- Então essa será só mais uma se por acaso algo der errado. Não é impossível. Já superamos muitos obstáculos, alguns que realmente quase sucumbimos e estamos aqui. Refeitas, fortes e prontas para mais um desafio.
- Meu medo não é o outro, meu medo sou eu. E como decidi que vou vencer. Venceremos. Mesmo que no final estejamos sozinhas.
- Aceito meus próprios termos. 
- Sigamos em frente!


2 comentários:

☠Neith War☠ disse...

"Talvez o que me desperte realmente seja a impossibilidade. O saber que não vai acontecer. E deixo que tudo se encaminhe sem colocar um freio. Não tenho nada a perder."


MAravilhoso! Sempre isso, sempre assim...e então...não tem mais volta!!!!

La Rosa Carla disse...

É as vezes a gente nem precisa sair do lugar para as coisas se encaminharem.....

Beijos