quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Invocação


Eles me feriram. Rasgaram meu ser. Tomaram do meu sangue e do meu corpo. Estou em frangalhos aqui, caída e sozinha. Então nesse momento me vem a lembrança um ser. Aqui onde mais nada pode ser tirado de mim Ele vem em minha salvação. Justo ele! Alguém que dizem nada saber sobre isso. Como são idiotas as pessoas que pensam assim. Claro que pensam pois não o conhecem. Ele vem trazendo sua própria Luz. Não precisa de apresentação ou algo que o valha. Eu o sinto em cada pedaço do meu ser ferido. Então ele vai me reagrupando. E dizendo palavras há muito esquecidas. Sem notar estou balbuciando as mesmas palavras, respondendo a encantamentos que até um segundo atrás desconhecia. Ele me ergue nos braços e me aninha em seu coração. Sinto um furor desconhecido. Minha garganta está seca, preciso beber alguma coisa. Ele me dá vinho, ou talvez seja sangue, não sei ao certo. O gosto é estranho,entre doce e amargo. Bebo e quanto mais bebo mais quero beber. Uma sede atroz toma conta desse corpo estraçalhado pela turba. Ele sorri e me diz: Beba! Beba e vamos comemorar a vitória. Olho para Ele como se perguntasse: Vitória? De novo aquele sorriso e me derreto, Ele me responde: Sim vitória. Vou te contar o porque. Enquanto a turva ensandecida feria teu corpo e te espezinhava, você foi superando o temor da morte, do desconhecido, quando já estavas no limiar, teu último desejo foi vingança. E estou aqui para cumprir teu desejo. Vou me deliciar com cada pedacinho daquelas almas. Vou fazê-los entender porque muitos me denominam como um demônio. Ele ri me segurando com força, caminha comigo até uma construção, me deita e depois de me ajeitar no que pareceu ser uma cama antiga, Ele me pede com delicadeza em sua voz: Durma! Em breve estarei de volta. Ele sai e eu adormeço ou morro, ou talvez tenha feito os dois, estou confusa. Enquanto estou nesse tipo de delírio Ele se encontra no campo. Caçando, espreitando cada um daqueles que maltrataram meu corpo. O sigo sem entender bem como. Ele adentra um local onde os homens estão deliberando o que será feito a seguir. Quais táticas usarão para atormentar mais uma vítima. O que poderão ganhar com aquilo. Ele se esgueira, ninguém o percebe. Seus olhos brilham em tons vermelhos. De repente aparece uma espada em suas mãos e Ele sai ceifando aqueles homens como se fossem nada. Quando termina se senta em uma cadeira de espaldar alto e rindo fala: Como são estúpidos esses seres!! Pensam que conhecem algo quando não sabem quem são eles mesmos. Agora estou com suas almas! Serão meus escravos. Afinal tem de servir para alguma coisa! Nisso as almas aparecem à sua frente. Elas estão temerosas e gritam: É o demônio! Ele os olha com desprezo e diz: Sou o que pensam que sou. Já que pensam que sou o demônio, que seja, para mim tanto faz. Agora vocês são meus escravos! E de nada adiantará tentar fugir ou pedir misericórdia! O tempo de vocês acabou! Agora é a minha vez. E eu não costumo desperdiçar meu tempo. As almas choram e se lamentam e Ele somente sorri e diz: Vamos o tempo acabou. E tenho pressa. Há muito o que fazer e muito a reparar. Eles o seguem cabisbaixos, parecem presos por correntes ou cordas, mas nada se vê, eles estão acorrentados por suas ações. Ele de vez em quando parece dar pequenos puxões, faz o gesto, e aquelas almas atormentadas caem, tropeçam como se realmente estivessem presos a Ele. Enquanto Ele caminha, numa postura de Rei, os seres se lamentam, choramingam e pedem perdão. Em determinado momento Ele pausa e diz: De que adianta pedir perdão? Eu não dou ou aceito perdão. Sua chance foi desperdiçada. Agora é minha vez de brincar! E eles somem no ar. Então Ele volta até onde estou dormindo e diz: Obrigada por me invocar. Embora viesse sem precisar me chamar e sabes disso. Mas obrigada mesmo assim, por compartilhar tudo isso comigo! E ele desaparece no ar também. Então descubro que estou em casa, sã e salva. Ele simplesmente se adiantou. E sorrio, indo em busca Dele em meus sonhos. Antes O invoco mais uma vez.

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