sábado, 3 de novembro de 2012

Eles



Em algum lugar há uma mulher esperando por um homem e vice versa. Essa espera é angustiante. Ninguém sabe ao certo se é real ou imaginário. Estranhos que se cruzam e de repente acontece. O que acontece? O amor? A ligação? Um estalo em ambos. Na verdade ninguém sabe. Eles só sentem. É como um reconhecimento. Não há uma fórmula mágica. Ou mesmo uma previsão. Somente acontece. Assim do nada e de repente. Eles se perdem nos olhos um do outro. A conexão é feita ou refeita. Então tudo pode acontecer. Ela sonha com ele. Ele a vê em sua tela mental. Tudo muito impreciso. Mas ao se depararem um com o outro simplesmente se reconhecem. Ninguém sabe quem são, de onde vem ou para onde vão. Será que isso realmente importa? Eles se buscam há eras. Nessa espiral de vidas e mortes. Nessa crença do amor verdadeiro. Vão e vem. Vem e vão. Em uma dança cósmica infindável. Sempre esperando o momento de união. Estranhos entre os seus. Ansiando por alguém que nem mesmo sabem se é real. Insanidade? Pode até ser, mas eles não se importam com o que os seus pensam. Seguem adiante. Prescrutando os caminhos, refazendo passos, indo na mesma direção. Quando de repente eles se reconhecem. Em meio a multidão ou mesmo em um passeio solitário. Eles se reconhecem. Uma corrente de energia os conecta. Sentem o sabor um do outro. Como? Simples, dos sonhos acalentados. Não são estranhos. Eles se encaixam perfeitamente. Esperam por isso há muito tempo. O universo é resumido aos dois. Dia e noite. Noite e dia. Passado, presente e futuro fundidos entre si. Não há mais lamentos ou tentativas vãs. Enfim eles estão frente a frente. O reconhecimento é instantâneo. A busca  terminou. O beijo tão aguardado acontece. Eles se harmonizam. Então alguém desperta. O desespero toma conta. A dor. A solidão avassaladora retoma seu posto. Dos olhos as lágrimas escorrem. Alguém pensa: Devo ser forte, combativo, não me render. Fecha os olhos e pede forças a Algo. Essa espera está minando suas forças. Precisa de equilíbrio. Se volta para seu interior, para arrancar de dentro dele a força e o equilíbrio necessários. Alguém chora no mais profundo do ser, mas segue em frente. É necessário. Por que? Porque a busca continua. Eles continuam procurando um pelo outro. Indo contra todas as probabilidades. Indo até mesmo contra a realidade. Essa ânsia, essa necessidade só será satisfeita quando novamente estiverem reunidos. Mas como eles sabem disso? Como podem ter certeza de que esse encontro irá se realizar? Simplesmente sentem. Não há como explicar sentimentos. Então eles seguem em frente. Camuflando a dor. Escondendo seus verdadeiros eus dos outros. Eles seguem. Sempre ansiando pelo reencontro. Acalentando a chama que os mantêm vivos. São imbatíveis porque precisam ser. Quando sentem as forças minguando, gritam um pelo outro, um grito mudo, que só o outro par entende. Eles vencem barreiras materiais para se unirem no exato momento em que um deles iria desistir. As energias se fundem, se recarregam, se concentram para continuar sua procura. Em todas as suas existências eles sempre souberam intuitivamente um do outro. Cada um em seu mundo, em seu plano, em sua terra intuindo o outro, sentindo, amando e esperando. Por vezes pensam em desistir mas, esse pensamento é expurgado depois de um tempo. Por que? A necessidade que um tem do outro é maior que o desespero dessa busca. Eles sabem que serão um do outro mesmo que não seja nesse agora. E isso lhes dá forças para continuar. Assim mesmo distantes estão sempre conectados. Mesmo ausentes estão sempre presentes. Eles se sentem, se reconhecem e sabem que é questão de tempo. E o tempo é somente mais uma questão, algo inventado pelos outros. Assim eles seguem seus caminhos. E se encontram por vezes nos sonhos, nas visões, nas lembranças. A conexão sempre existirá. O reconhecimento também. Eles sentem-se um ao outro desde a aurora dos tempos. Não há perca. Não há nada além dos dois. Assim foi. Assim é. E assim será. 

Um comentário:

IDÉIAS E PROBLEMAS disse...

Tão lindo e tão romantico...uau
parabéns amiga.