domingo, 10 de junho de 2012

Impulsos... (título provisório) Parte 2


Diz Carl Jung: "É preciso se preocupar com a força das diferenças, e não com as suas fraquezas."
E naquela manhã seguinte este Dom perde o horário para suas atividades matinais, se atrasa para seu trabalho, se veste mal e se penteia, é uma manhã caótica para ele. Durante o trajeto para seu trabalho liga para sua equipe e diz que teve problema familiar, mentiroso! O orgulho lhe toma por dentro, ele quer externar este sentimento, mas notavelmente as pessoas na rua reparam nele como uma pessoa que acordou de mau humor e esta mais atrapalhada do que uma criança sozinha num lugar desconhecido. Seus passos são sem ritmo e sua mente absolutamente aérea, uma ótima vítima do infortúnio, por que não um assalto? Ou um tropicão? Na verdade nada disto agravaria mais o que ele sente. Está fraco por mais que queira estampar orgulho e força. Santa ignorância! Perdurar por horas nestes pensamentos desconexos, em dado momento ele se sujeita a admitir!
-Porque acordei?
-Se pudesse não sairia da cama, sonharia mais e mais com ela... E desta forma tudo isto que vejo em minha volta sumiria...
Infame e relutante sua perspicácia tão visível em seus feitos profissionais deixou a ver navios neste momento. Um mero ignorante que não notou ainda o que se passa de verdade.
Chegando a seu trabalho ele nota pelo espelho do elevador que sua face está de uma pessoa cansada e desgastada, precisava dormir. Seus olhos ardem e seu corpo padece de alívios imediatos. Inconscientemente ele quer pensar nela, ele deseja ao menos escutar a voz dela. Mas só consegue ver a foto dela. Bela, linda e sexy. Seu dia parece vagar em determinado momento ele desabafa com um amigo de seu trabalho sobre quem conhecera há poucos dias. Apreensivo seu amigo lhe afirma que algo precoce assim torna-se mais doloroso de superar e que a maturidade que ele já tinha da vida não lhe permitia caprichos com sentimentos infundados. Apesar deste Dom não querer expor os fatos ele apenas disse que ela era uma pessoa legal... (risos). Legal? Uma pessoa que ele mal conversou através de palavras, ele se sentia idiota em justificar isso ao seu amigo, quando na verdade ele desejava de fato era dizer que ela era a sub que ele idealizou, que ele queria junto dele, que não era uma simples mulher e sim alguém que faria tudo por ele, seria o mundo dele a confiança que ele buscará em alguém durante todos estes anos porém nunca havia encontrado. Aquela com quem ele deseja açoitar e ao mesmo tempo lamber suas feridas para sentir o ardor de sua pele e amargo de seu sangue. Aquela quem ele deseja quebrar tabus que ela limitara-se a recusar por receios de suas experiências ou repulsas passadas. E também aquela da qual ele quer sorver até a última gota de prazer vinda de sua rósea e encharcada buceta e deixar marcas de sua boca em seus belos seios macios e rosados quando os deixa em ebulição.
Fato, ele não poderia descrever isto ao seu amigo, preferiu sentir-se idiota em omitir ricos detalhes. Senão seria tachado de louco ou tarado, talvez os dois.
Após este desabafo ele se põe a refletir durante o dia sobre o que sente: tenta racionalizar, banalizar, tornar algo simples de lidar e enxergar. Como se aquilo fosse um momento somente, uma excitação fútil algo que se masturbando passasse, até outras aparecerem em sua mente. Maldito orgulho lhe toma pela mente. É quando num dado momento ele resolve ver na internet se há algum recado dela, um sinal de que ela existe e quer falar com ele. Ele nota que ela faz questão em lhe desejar um bom dia, uma ótima semana e que gosta de conversar com ele. Uau... um simples comentário dela, já tornou o suficiente para ele lembrar da noite passada e de como ele desejaria que ela lhe desejasse um bom dia depois de mamar todo seu pau e engolir até sua última gota de prazer... Hummm o Dom insaciavelmente não poupa seus pensamentos eróticos nem com uma simples mensagem. Rindo de si em sua saída do trabalho ele admite para si que esta sub realmente mexe com ele, o deixa sedento de desejo ele crê piamente que ela pode sentir o mesmo quando o conhecê-lo melhor ou talvez ela já o tenha em sua lembrança... (Quem sabe.)
Há o primeiro estágio das expectativas precipitadas que todos cometem milhares de vezes na vida.
E para o Dom a primeira ação: ele sente que eles dois não são tão diferentes, então por que se esconder do que sente?
Chegando tarde da noite como uma flecha a razão lhe acerta em sua mente, vem à tona lembranças de seu passado, de histórias mal resolvidas e frustrações do que buscava, estranhamente ele se sente em uma armadilha de si mesmo. Sua autoconfiança tão esclarecida sobre ela quando ele estava de saída do seu trabalho se transforma em desconfiança de suas autoafirmações. Por maiores encaixes que ele encontre entre a sub e o Dom, quem poderia afirmar que ela o desejaria? Quem poderia afirmar que ele seria a realização de vida dela? E se ela somente é gentil por reconhecer alguém educado tanto quanto? Anseios e dúvidas tomam conta deste Dom. À pergunta que abre sua noite é: Por que ela lhe desejaria tanto quanto ele a deseja? Será que esta sub existe de fato? E será que ela realmente se interessa por ele?
Abrindo a noite o Dom se questiona, se autoavalia na esperança de encontrar algo em si que a torne feliz... não adiantará olhar seu pau e imaginá-lo às mãos dela, nada disto adianta...
É preciso entender, é preciso sentir, o hedonismo por si só não trará a solução que ele persegue. É ela, puramente ela quem ele quer, não só por momentos, não só por uma noite e muito menos por um flerte. Têm mais, muito mais que ele deseja, algo pleno, perpétuo e intransferível. É de tirar o ar o desejo, a busca e a fascinação. Uma sub que lhe tira o raciocínio e lhe projeta em dúvidas. A noite se devaneia como as letras de Chico Buarque, por ora se perdem na mente deste Dom que nunca imaginara que alguém existiria assim, e por anos ele se desiludira por querer alguém assim.
“...Quando ainda estava moço
Algum pressentimento
Me trazia volta e meia
Por aqui
Talvez a espera da garota
Que naquele tempo
Andava longe, muito longe
De existir
Eis que do nada ela aparece
Com vestido ao vento
Já tão desejada
Que não cabe em si..”

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