sábado, 31 de março de 2012

Revelação


Fui dormir a noite, melhor dizendo de madrugada com duas frases que escrevi num papel e coloquei embaixo do travesseiro eram essas aqui: Nada muda se você não mudar! O que deve morrer para que eu experimente o amor? Duas frases que aparentemente não tem nada a ver correto? Errado! Tem tudo a ver. Durante a madrugada nada de novo. Dormi repetindo mentalmente as duas frases. Acredito que devo ter até me embaralhado com elas. E o resultado foi nulo. Tudo bem pensei, vai ver que não havia uma resposta para elas. Fiz minhas coisas normalmente até as 16 horas e sofri literalmente um apagão do qual só sai as 20:30. Não me lembrava conscientemente das duas frases mas, pelo visto elas se lembravam de mim. Aí começou uma epopeia. Zilhões de imagens passaram pela minha retina. Começou lá na infância e o maldito sentimento de rejeição. Se bem que era algo leve. Meu pavor dos homens bêbados e do sofrimento que os mesmos infligem as famílias. Depois a culpa por algo que não consigo definir direito. Mas o que o sonho me mostra é como sou rechaçada a cada vez que tento fazer carinho em meu pai, a cada vez que tento me aproximar de minha mãe nos momentos em que ela sofria as dores impostas pelo bêbado. São várias cenas que atravessam minha mente, dolorosas e aflitivas. A mais marcante é quando me rebelo e levo um tapa, aliás o murro na cara, que me desmorona, na sequência vem a cena do banheiro onde ele finge estar possuído por um Exu e minha revolta, ele sentado no vaso sanitário e minha mãe implorando para que eu abrisse a porta, um cabo de vassoura aos pés dele e as ameaças de surra e coisas horripilantes ditas entredentes e cuspidas em mim. E eu ali sentada com dor e uma vontade insana de matar aquele homem, que era meu pai. Muda a cena e me vejo no quarto dos meus pais, e ele me dizendo que só fazia aquilo com quem amava e a resposta que dei sem conseguir me segurar: Então preferia que não me amasse. Mentira, pura mentira. Mas a dor e a vergonha falaram mais alto naquela hora, na minha mente isso iria machucá-lo, mas quem saiu machucada fui eu. Porque aquele murro na cara me trouxe todas as lembranças da infância. E mesmo agora no sonho elas ainda doem. Ainda me sinto indefesa, rejeitada e menosprezada, me sinto inferior e menor que todo mundo. Muda a cena de vou parar no dia do casamento. Todo mundo feliz, rindo, festejando e eu diante daquele padreco chorando, morrendo de chorar, porque na verdade não queria aquele maldito casamento, não queria aquela gravidez. Mas a família ganhou, ou melhor meu pai ganhou e foi tudo feito do jeito dele. Vejo os convidados saindo da igreja, a festa, os presentes, o então marido e a única coisa que brota em meu peito é a vontade de sair correndo dali. Depois as bebedeiras dele e eu me sentindo cada vez pior, cada vez menos e menor. Houve época em que eu era um enfeite em minha própria casa. Surtei, pirei, fui procurar consolo nessas malditas religiões que desagregam a mente da pessoa. Resultado me ferrei. Só após muito tempo quando me voltei para a Magia que isso começou a mudar. Nova cena, a separação, a briga, a surra que dei nele e o desejo de massacrar não somente ele mas a imagem do meu pai. Como posso sentir isso? Sentindo me respondo. Não nego que senti isso várias e várias vezes. Outra cena, a primeira tentativa de suicídio e depois todas as outras encarreiradas. E a sensação de inutilidade daquilo. As internações, o sossego que aquilo me trazia e o tão bem vindo insolamento, da família, do marido, enfim de todos. Depois a cena do amor desfeito, das mentiras contadas que eu acreditava em cada uma delas. Até a constatação de que aquela pessoa não merecia o amor que eu oferecia, porque tudo nele sempre foi mentira em cima de mentira. Solidão, desespero, vontade de morrer, isolamento e ódio contra mim mesma. Fuga para o interior, para recomeçar, novo fracasso. Na verdade queria fugir de mim. Mas como?? Se não podia me separar de mim mesma? O despertar do meu lado underground em relação ao sexo. A descoberta que o prazer pode simplesmente ser algo dissociado do tal amor. Nova enganação, porque eu gosto de me sentir envolvida emocionalmente na hora da transa, senão não rola, e se rola não é bom o suficiente pra mim. Mais uma cena, agora o bicho pega! Vejo meu duplo, meu corpo astral, seja lá o que for, parado na beira do precipício quase pra pular. Nos encontramos e começamos a conversar. O duplo me diz que está cansado, que quer morrer, que nada vale a pena, que não acredita no amor e em sentimentos, aquele blablabla que eu mesma falo quando estou injuriada da vida. E de repente uma luz ilumina tudo. Essa luz vem do abismo. Eu dou uns passos para trás e falo ao duplo: Isso tudo é mentira. É uma forma de não viver. E essa negação só me sufoca. O duplo ri insanamente. Quando a luz o engole. Sinto uma presença doce e quente. Amorosa e sensual. E me pergunto que diabos é isso? Quando olho para a frente me surpreendo por ver um ser luminoso que vem em minha direção. Não consigo olhar muito para aquilo, até sentir o abraço e o som que esse ser faz, se parece com música, com o farfalhar do vento e diz: Enfim descobriu que pode vencer seus medos e que o que te atrapalha nada mais é do que sua rejeição ao amor e felicidade. Ninguém é indigno disso, mesmo aqueles que acreditam ser. Aprenda a se valorizar pelo que carrega dentro de si. Aprenda a olhar o mundo com menos sobriedade. Todas as vezes que precisar estarei aqui. Para acalentar e cuidar de ti. Só não se esconda de si própria. A vida é sempre uma viagem. Então acordei com um clarão enorme que vinha não sei de onde.




3 comentários:

☠Neith War☠ disse...

Ahhhh que MARAVILHOSO!!!!
Sabe...lendo suas palavras, entendi também algumas coisas em mim mesma...Depois de um tempo percebi que somente nós mesmas e que podemos decidir o que queremos e o que devemos pegar para nós. A felicidade e a liberdade é nossa por direito e nenhum fdp deve dizer qd e como devemos pegar isso. Esse encontro magnífico veio lhe trazer conforto e luz, e ele não surgiu agora, ele sempre esteve aí, apenas não o enxergamos antes, o maior problema é que temos deixado as coisas ruins da vida sempre nos remeter a um passado horroroso que queremos esquecer e isso nos fraqueja e faz cair sem esperanças. Por isso, não devemos nos forçar a esquecer nada do q houve e sim lembrar de cada detalhe para dizer diariamente que não queremos isso e que temos o direito a felicidade e que as pessoas não são todas iguais e que podemos ter tudo aquilo que desejarmos porque somos nossos próprios deuses e deusas!!!
Obrigada por compartilhar com todos suas vitórias sobre dores tão antigas, isso é uma esperança para muitos que ainda lutam com si mesmos!
beijos

La Rosa Carla disse...

Neith War não sei bem se consegui lidar com todas as dores, venho tentando, venho me analisando, agora decidi colocar tudo para fora, mas admito que não é fácil e que é muito dloloroso! Mas enfim faz parte do aprendizado. Hoje não vou poder postar nada, mas amanhã terei novidades!!! rsrs

La Rosa Carla disse...

Neith War te recomendo ler o blog Mudo da La Rosa, outra meu, funciona como um desdobramento desse, ou algo do tipo rsrsrs