sábado, 24 de março de 2012

Infinitos




Caminho por estradas esquecidas, por terras devastadas, por mundos desconhecidos. Busco o coração que me foi roubado, a alma que perdi em alguma esquina, em algum canto desse universo insano que habitamos.
Já se passaram milênios desde que senti teu beijo, teu hálito frio invadir minha boca e me entreguei sem freios. Mas o que fizeste dessa entrega? Troçastes de mim. Ristes de uma forma tão cruel que abalou meu espírito. Hoje ainda posso ouvir o eco da tua risada. Fugi de ti e de mim. Juntei o pouco da dignidade que me restava e corri sem rumo durante muito mas muito tempo mesmo. Agora parece que volto ao local onde tudo começou. Onde possuíste não meu corpo mas minha alma, meu espírito. Procuro por algo que não sei bem o que possa ser. Sento-me naquele toco e fico ali admirando o céu e o mar. De repente todas as imagens voltam assombrando meu ser. Teu rosto, teu corpo ereto e aquele sorriso maldito e sedutor. Digo em voz alta: Saia daqui demônio, já superei tua falta de amor, teu escarnio. Não conseguirás me enredar novamente. Mas algo em meu íntimo palpita, parece acordar e se precipitar para fora de mim. Fecho os olhos tentando manter a serenidade. E da névoa apareces, lindo e másculo caminhando em minha direção. Minha reação automática é correr, fugir. Mas antes que esboce um movimento estás na minha frente. E ao mirar teu olhar sei de antemão que estou presa, vencida e amando. Novamente aquele sorriso! Quando tento falar tu me calas com um beijo. Deuses e Demônios, que beijo é esse!!! Tua língua brinca com a minha, tuas mãos em minhas costas me segurando para não cair, de repente sinto tuas presas em meu pescoço, estremeço, mas não é por medo e sim desejo. Tu me olhas, devorando o que restou do meu espírito. E vem saciar tua sede. Sinto o corpo amolecer, estou à beira de morte, sem dor, sem violência, só um desejo crescente em meu corpo desvalido. Tu me deitas no chão coalhado de flores e folhas, ficas me admirando enquanto desfaleço e então irrompe em mim uma sede devastadora, sinto como se meu corpo pulsasse inteiro e te olho, sorris e me ofereces tua jugular, me aninho em teus braços e te sugo com vontade férrea. Tu não se mexes só acaricias meus cabelos. Bebo teu sangue como se fosse vinho. E descubro que nutres por mim um sentimento, paro maravilhada em meio a mordida e tu ris. E dessa vez teu riso é como sinos balançando ao vento. Por fim nos levantamos e me estendes as mãos dizendo: Tu entendeste tudo errado. Não queria que fugisses e sim que pudesses me ver como sou de verdade. Eu fico ali admirando meu amado e sabendo ser amada. Que extraordinário! Então a fome me ataca de novo. Ele se aproxima e diz vamos para nosso lugar. Sei exatamente qual o lugar. Sem nunca ter estado lá. Fecho os olhos e ele me ergue aos céus, sinto o vento passando pelo meu rosto e pelas roupas. Pousamos em silêncio e com delicadeza ele me conduz até seu esconderijo. Sem palavras desnecessárias arrancamos nossas roupas, empecilhos ao nosso desejo. Mais tarde ao olhá-las verifico só restarem trapos. Nossos corpos se encaixam à perfeição. Suas mãos percorrem meu corpo explorando cada centímetro e faço o mesmo com ele, sem delicadeza só voracidade. Nos devoramos, arranhamos, mordemos, trocamos fluidos, sem nos preocupar com nada além de satisfazer nossa fome. Essa fome que mesmo tentando saciar em outros corpos só aumentava. E sei sem necessitar de palavras que o mesmo acontecia com meu amado. Ele me diz que mesmo enquanto eu fugia ele esteve sempre por perto, cuidando para que nada me acontecesse e afastando possíveis pretendentes e confessa que ficava furioso todas as vezes que meu desejo falava mais alto. Sem pensar pergunto e como satisfazia os teus desejos? Da mesma forma responde ele e emenda: Mas sempre faltava algo, nunca era você que estava em meus braços. Seu medo nos afastou durante muito tempo, perdi a conta dos anos já. Afinal o medo era por minha causa? Pergunta ele me olhando seriamente e me aconchegando ao seu peito. Então era chegada a hora da verdade! E respondo usando de sinceridade: Não! Tinha medo de mim mesma, era muito mais fácil fugir e jogar a culpa toda em cima de ti. Só que chegou um tempo em que nenhum homem me satisfazia, saia daquelas camas me sentindo imunda e necessitando te encontrar. Então decidi voltar ao lugar onde nos conhecemos, disposta a implorar aceitação. Ele riu! Implorar? Não meu amor, nós decidimos viver esse sentimento que nos faz imortais. E aqui estamos, dois perdidos que voltaram a ser o que sempre foram: Amantes Imortais. Amantes que se procuraram por milênios, que se perderam por séculos mas que nunca esqueceram como era o amor que sentiam um pelo outro. Então cada um a seu modo tentou esquecer ou encontrar o amado em outros corpos. Aí nos sentíamos como você mesma falou, imundos, nos sentíamos incompletos. Até essa noite. Onde nos tornamos UM. Onde não sabíamos onde começava um corpo e terminava o outro. Personificamos o símbolo do infinito. Pois é isso que somos infinitos. Mas somente quando estamos juntos, trocando energias, fluidos, beijos e carícias. Alcançamos dimensões que nem Deuses, Demônios, Anjos e todo o resto conseguem porque somos infinitos em nosso amor, nossa vida e nossa morte. Somos infinitos!!!

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