sábado, 2 de abril de 2011

Predador

Nos meus sonhos mais loucos, nos devaneios mais insanos um ser ronda, espreitando cada suspiro meu. Avaliando se vale a pena ou não a presa, a caçada. Em silêncio observa cada frase minha, cada gesto impensado. Muitas vezes me pergunto:  Será isso fruto da minha imaginação? A resposta é sempre o silêncio. Deixo-me ir no afã de descobrir mais sobre esse ser que exerce um estranho fascínio sobre essa submissa. Um encontro ocasional, sem nada premeditado e bum!  De repente me pego a divagar sobre quem ou o que poderia ser. Num gesto mais ousado e diria eu até impensado penetro seu recinto. No primeiro momento um pavor imenso me paralisa não saio do lugar. Erro as frases, não consigo me articular. Justo eu que lido tão bem com palavras e adoro brincar com elas. Fico emudecida. Não sei se saio correndo ou permaneço. Esse ser carrega um olhar sarcástico capaz de estagnar qualquer um quem dirá alguém como eu. Disfarço dizendo que houvera um equívoco, o que na realidade houve mesmo, mas aí me pego perguntado foi mesmo um erro ou equívoco? Não tive a intenção de invadir, só queria um meio de maior aproximação. E ali estava eu postada feito um dois de paus, sem saber o que fazer, dizer ou pra onde ir. Seria simples encerrar a conversa, mas algo me puxava para o centro daquele ser. Algo que nem eu ainda consigo entender ou questionar, simplesmente me deixei ficar. Devagar fui me habituando às mudanças de humor, tão rápidas e drásticas, típicas dos predadores. Nunca se sabe quando ou se irão atacar. Já menos amedrontada, mas não muito, passei a delirar, sim porque não há outro termo que possa usar aqui, e fui me atrevendo a fazer perguntas ao Predador postado a minha frente em uma posição de ataque. Isso equivale a dizer que ao menor descuido poderia acabar devorada sem nem saber porque. O medo embora presente foi cedendo lugar a uma curiosidade cada vez maior e instigando-me a me aventurar cada vez mais. Então cuidadosamente passei a perguntar sobre seus hábitos, de vez em quando um rosnar baixo avisando cuidado, perigo. Um ou dois passos atrás. Daqui a pouco lá estava eu fazendo novas inquirições. Descobri que esse predador gosta de comidas exóticas, nada muito simples o anima. Nada muito normal o atrai. Estranha coincidência. Acho que a presa ou pretensa presa se sentiu em casa nos momentos compartilhados. Seu apetite é requintado, assim como seu faro. Enveredamos depois ou concomitantemente pelos prazeres da carne, algo sempre instigante e também perigoso, pois uma palavra errada poderia colocar tudo a perder. Falamos de cenários montados especialmente para o deleite do Dominador, um quarto arrumado ao estilo oriental, com uma gueixa para servi-lo e satisfazer pequenos caprichos. Outro cenário com uma banheira e aí sim uma submissa para dar-lhe banho, passar-lhe óleos aromáticos.  Massageando seu corpo levemente e depois bem isso acho que não cabe aqui. Fica a gosto do próprio Predador. Suspiro por minha parte imaginando a submissa aos seus pés, sendo cuidada e protegida, como deveriam ser todas as fêmeas, pena que poucas dão sorte. Fecho os olhos e até posso sentir o toque daquelas mãos e a boca, aliás, que boca... Mas o melhor de tudo isso é o cuidado que o Predador tem mesmo com quem não é sua, seu modo carinhoso e arisco de lidar com submissas soltas por aí entre elas eu. Perguntou-se sobre entrega. Como falar de algo tão íntimo a alguém tão pronto a atacar. Não sei. Mas fiz. Entreguei minha alma ali, sem querer, contei o que isso significa para mim. Detalhei meus anseios sobre a entrega. Sobre pertencer a alguém. E agora como antes me pego pensando, por que diz isso? Por que deixei que o Predador lesse meu coração e alma de um modo tão profundo? Estarei por acaso maluca? Como permiti que Ele ultrapassasse limites que nenhum outro nem sequer chegou perto. A resposta: De novo, não sei. Não encontro uma resposta coerente para essa minha atitude impensada. Só sei que assim ocorreu. E não me arrependo, de nada do que foi falado, questionado e compartilhado com Ele. Quando precisei de apóio esse Predador foi o único que esteve presente e se importou com alguém que nem conhece direito. Se já o admirava antes, ganhou minha afeição em definitivo após esse episódio. Enfim Predadores são seres incansáveis e insaciáveis. E essa submissa se rende ao silêncio, pois nada melhor que isso para poder contemplar um espécime tão raro, quase extinto nos dias de hoje.

4 comentários:

JANUS DOM disse...

Nem sempre a inveja é pejorativa.
Quando bem usado, o sentimento de inveja nos faz crescer, evoluir, tentar, melhorar.

Ah!.
Como tenho inveja desse predador que conseguiu provocar em ti tudo isso!

Yasmin disse...

Caro Sr..

Não é preciso invejar...

Tens muito mais de mim...

Marillis disse...

Amada,

Adorei teu blog!!!

Bom gosto nas imagens e nos textos. Parabéns!!!

Doces beijos da Marillis

Yasmin disse...

Obrigada Marillis